Poder e Governo
Lula participa de cerimônia de sanção ao projeto antifacção
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) particpa nesta terça-feira da cerimônia de sanção ao projeto de lei antifacção aprovado pelo Congresso Nacional. Com informou O GLOBO, o presidente deve fazer poucos vetos, diante do impacto eleitoral que a matéria pode provocar.
Ao falar na cerimônia, Lula adotou um discurso duro contra as organizações criminosas. Exaltou o ponto do texto que veda o pagamento de auxílio reclusão aos familiares de condenados por participação em organizações criminosas.
— O cidadão que quiser cometer os seus crimes tem que saber que os seus familiares irão pagar pela irresponsbailidade pela irreponsabilidade dele — disse.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), participou do evento. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apesar de convidado, não compareceu. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes também participou.
Segundo dois aliados do chefe do Executivo que acompanham as conversas sobre o tema, é preciso evitar que qualquer veto seja explorado por adversários políticos para atacar o presidente em ano eleitoral.
Além disso, há uma preocupação no entorno de Lula sobre como essa sanção será comunicada à sociedade. Um aliado do presidente afirma que é preciso tratar isso de forma didática para evitar qualquer desgaste político do presidente e reações no Congresso Nacional.
Isso porque a segurança pública deverá ser um dos principais temas explorados nas eleições deste ano e, tradicionalmente, a esquerda patina nesse assunto. Pesquisa Quaest divulgada neste mês mostrou que 27% dos entrevistados apontam a violência como maior preocupação em relação ao Brasil atual --seguida de temas como corrupção (20%), problemas sociais (18%) e saúde (13%).
Um auxiliar de Lula afirma que o governo precisa reconhecer que é necessário dialogar com a sociedade nesse assunto e que há uma cobrança para um endurecimento das políticas públicas que buscam combater a criminalidade.
Na avaliação dele, o trabalho do governo é buscar um meio-termo na legislação, ainda que isso signifique neste momento apresentar uma política mais austera, com maior recrudescimento penal, por exemplo —tema que enfrenta resistências na esquerda.
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