Poder e Governo
Aliados de Lula eram favoráveis à prisão domiciliar de Bolsonaro e viam risco eleitoral na hipótese de piora clínica do ex-presidente
Temor era que o quadro de saúde do ex-presidente sensibilizasse o eleitor indeciso e acabasse beneficiando a candidatura do senador Flavio Bolsonaro
Desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi internado por uma pneumonia bacteriana, em 13 de março, integrantes do governo e petistas passaram a ver riscos eleitorais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na hipótese de piora clínica de Bolsonaro na prisão. Diferentes alas do governo e aliados do PT começaram a defender, reservadamente, que havia chegado a hora de uma concessão de uma prisão domiciliar.
O temor era que o quadro de saúde do ex-presidente sensibilizasse o eleitor indeciso e acabasse beneficiando a candidatura do senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Governistas entendem que qualquer revés relacionado à saúde pode ser colocado na conta de Moraes e Lula, e prejudicar a reeleição do petista.
Nesta terça-feira, o ministro .
Na decisão, Moraes autorizou a concessão de prisão domiciliar humanitária temporária a Bolsonaro pelo prazo inicial de 90 dias, a contar da alta médica, com o objetivo de garantir a recuperação completa do quadro de broncopneumonia.
A avaliação é que é inegável a fragilidade de saúde do ex-presidente e que ele, ao ir para prisão domiciliar, com o conforto de casa e do convívio familiar, poderá mitigar o agravamento do quadro.
Outra ponderação feita nos bastidores do governo é que a decisão de mandar Bolsonaro para casa pode ser encarada como um gesto de Moraes para baixar a temperatura diante dos desgastes gerados à imagem do ministro em meio as escândalo do Banco Master.
O entorno de Lula, no entanto, pondera que um risco de ter Bolsonaro de volta à prisão domiciliar será o fato de o ex-presidente voltar a ter amplo contato com o mundo político, ter ainda mais influência na campanha de Flavio Bolsonaro.
Bolsonaro foi preso em novembro do ano passado, antes mesmo de a sentença da Corte transitar em julgado, pela tentativa de romper a tornozeleira eletrônica enquanto estava detido em casa. Ele seguiu para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde começou a cumprir a pena. Em 15 de janeiro, ele foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, que fica dentro do Complexo da Papuda e é conhecido como Papudinha.
O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, após condenação por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ex-presidente está internado desde 13 de março no DF Star, em Brasília, após passar mal no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a "Papudinha", onde cumpre prisão desde janeiro. Bolsonaro trata pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração.
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