Poder e Governo

Governador em exercício do Rio se reúne com Cármen Lúcia antes da retomada de julgamento de Castro no TSE

Encontro durou cerca de 30 minutos e ocorreu um dia após renúncia ao Palácio Guanabara

Agência O Globo - 24/03/2026
Governador em exercício do Rio se reúne com Cármen Lúcia antes da retomada de julgamento de Castro no TSE
Governador em exercício do Rio se reúne com Cármen Lúcia antes da retomada de julgamento de Castro no TSE - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Um dia após assumir o governo do Rio, com a renúncia de Cláudio Castro (PL), o desembargador de Castro se reuniu com a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, na manhã desta terça-feira. O encontro durou cerca de 30 minutos.

Com a renúncia de Castro, formalizada na noite desta segunda-feira (23), o governador em exercício terá até 48 horas para convocar uma eleição indireta que definirá o novo chefe do Palácio Guanabara.

Ricardo Couto assumiu o governo de forma interina em razão do afastamento do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União). Ele foi impedido de exercer a presidência da Casa — e, consequentemente, de assumir o governo — por decisão do ministro Alexandre de Moraes, em processo que apura sua atuação no vazamento de uma operação contra o Comando Vermelho. O vice-presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), não integra a linha sucessória estadual.

Presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Ricardo Couto, de 61 anos, não pretende despachar do Palácio Guanabara. Ele deve continuar a trabalhar no seu gabinete no tribunal, acumulando a presidência da Corte com o comando do estado.

O encontro com Cármen Lúcia ocorreu pouco antes da retomada, nesta terça-feira, do julgamento que pode tornar Cláudio Castro inelegível pelos próximos oito anos. O cartaz atual na Corte é desfavorável ao agora ex-governador, com dois votos pela redação.

Castro é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A ação sustenta que houve uso da estrutura da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para a contratação de cabos eleitorais, com distribuição de cargas e recursos públicos para ampliar o apoio político durante o período eleitoral.

O julgamento será retomado com o voto do ministro Nunes Marques, que, em 10 de março, pediu vista e suspendeu a análise. Nos bastidores do TSE, a expectativa é que o magistrado, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, apresente voto para manter Castro elegível. O GLOBO apurou que o ministro deve considerar a gravidade das condutas descritas na denúncia e aplicar multa, mas sem considerar que o governador teve tido atuação direta no caso.

Ainda assim, a avaliação na Corte é que a tendência é de observações e consequente inelegibilidade — Castro é pré-candidato ao Senado pelo Rio. Entre ministros do tribunal, o fato de ele ter renunciado à carga não deve influenciar o julgamento, embora impeça eventual cassação.

Ministros ouvidos pelo GLOBO citaram precedentemente em que detentores de cargas eletivas renunciaram e, ainda assim, foram punidos por crimes eleitorais. A leitura é que a renúncia como forma de evitar avaliações já é prática recorrente e não tem sido acolhida pelo TSE.

Como o estado não tem vice-governador e o presidente da Alerj está afastado, a linha sucessória é ocupada pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, que assume interinamente o governo. Caberá a ele organizar uma eleição indireta que permitirá aos deputados estaduais escolher um nome para comandar o estado em mandato-tampão, até a eleição do próximo governador.