Poder e Governo
Flávio Bolsonaro desautoriza jingle de pré-campanha com críticas a Centrão e 'terceira via sequelado'
Equipe do senador diz que PL terá 'mais cautela' nos próximos eventos
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro disse que o PL terá "mais cautela" nos próximos eventos depois de tocar a apoiadores, em Natal (RN), um jingle em que critica o Centrão e rechaça apoio a uma "terceira via sequelado". A música foi uma das que embalou no último sábado o primeiro ato do giro do pré-candidato pelos estados do Nordeste e do Sul para alavancar seu nome na corrida ao Planalto e estruturar palanques e alianças regionais.
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O jingle em questão afirma que o "Centrão vai cair do cavalo" e ressalta, sem citar nomes, que os candidatos não querem um "terceira via sequelado". Em nota, a equipe de Flávio afirmou que o "detalhe da música não passou pelo crivo da assessoria do senador que, se tivesse conhecimento prévio, não concordaria com a letra".
“Ela desmerece partidos importantes para o resgate do Brasil das mãos sujas do PT. O PL terá mais cautela nos próximos eventos”, complementa a nota.
A informação foi publicada inicialmente pela Folha de S. Paulo e confirmada pela GLOBO.
A partir de Natal, Flávio programou uma sequência de compromissos no Nordeste, reduto do território tradicional historicamente menos favorável ao bolsonarismo, antes de um giro pelo Sul, para consolidar a força do clã Bolsonaro. A equipe do senador afirmou que "o PL fez o maior movimento político dos últimos tempos no Rio Grande do Norte, com a presença gigantesca do povo potiguar e lideranças políticas de vários partidos".
Flávio Bolsonaro faz gestos
'Lulista' no passado,
A escolha do Nordeste para abrir o giro político com leitura estratégica dentro da campanha. Apesar de uma região historicamente concentrada forte apoio ao presidente Lula, os aliados de Flávio avaliam que ampliar a presença política no Nordeste é condição necessária para tornar viável uma candidatura presidencial competitiva.
No discurso durante o evento de Natal, Flávio focou em críticas a Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT e atribuiu aos adversários políticos uma suposta postura de leniência com o crime. Disse que o governo de Lula tem criminosos “soltados” com uma “política de desencarceramento” e apontou que o presidente se opôs à classificação de facções como terroristas.
O pré-candidato defendeu, ainda, a redução de impostos e incentivos aos empreendedores. Flávio afirmou que o governo federal criou mais de 30 impostos em três anos e citou a alta do preço do diesel, sem relação aos efeitos da guerra no Oriente Médio.
Flávio ressaltou que representa um projeto de governo que “se preocupa de verdade com as mulheres” e culpou o governo federal pelo cenário de alta de casos de feminicídio. O pré-candidato tem intensificado seus discursos voltados para o público feminino nos últimos meses, em busca de tentar evitar repetir a forte seleção do eleitorado feminino ao seu pai, Jair Bolsonaro.
Como O GLOBO mostrou
A sequência de viagens culmina no evento marcado para o dia 30 de março, em São Paulo, considerado pelo entorno de Flávio como o primeiro grande ato de sua pré-campanha. A expectativa é que o encontro reúna parlamentares, lideranças partidárias, empresários e representantes do mercado financeiro.
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