Poder e Governo
Operação da PF mira nomeação de assessores parlamentares fantasmas e 'rachadinha' em Angra dos Reis (RJ)
Agentes cumprem cinco mandados de busca e apreensão na cidade da Costa Verde, no Rio e em Juiz de Fora (MG)
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a Operação Caça Fantasmas, para apurar irregularidades relacionadas ao possível uso indevido de recursos eleitorais e da estrutura institucional da Câmara Municipal de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio.
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Bastidores:
As investigações apontam para "um ecossistema formalmente instituído e voltado ao aparelhamento de cargas públicas para fins eleitorais", por meio da nomeação de pessoas que não prestaram a efetiva contraprestação de trabalho. A vinculação delas estava associada à possível exigência, pelos ocupantes das cargas públicas, de repasse de valores oriundos das remunerações recebidas, prática conhecida como "rachadinha".
Policiais Federais foram às ruas para cumprir cinco mandatos de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Eleitoral, nas cidades de Angra dos Reis, Rio de Janeiro e Juiz de Fora (MG). As diligências ocorreram em direção direcionada aos investigados, incluindo residências, um escritório de advocacia e um gabinete parlamentar na Câmara Municipal da cidade da Costa Verde.
A PF citou a utilização do aparelho público para práticas criminosas e a utilização dessas ligações como "mecanismo de sustentação de base política, com compromissos de captação e destinação de recursos à margem dos registros oficiais de campanha".
Uma assessora parlamentar formalmente vinculada ao gabinete investigado, por exemplo, desenvolvia atividades acadêmicas em curso de medicina presencial, em tempo integral e situada na cidade de Juiz de Fora (MG). Além disso, ela exerce atividade profissional como cirurgiã-dentista no mesmo município. “Tais situações evidenciam uma impossibilidade concreta de exercício simultâneo em relação às atribuições de carga pública em Angra dos Reis”, afirma a PF.
O investigador aponta, ainda, pretendentes de declarações ideologicamente falsas e inserções de informações "divergentes da realidade" para omitir despesas sobre a contratação de serviços e a destinação de recursos durante a campanha eleitoral.
O material apreendido na ação será analisado no decorrer da purificação. Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, peculato-desvio e abuso de poder político e econômico, além de outras infrações que possam ser identificadas mais adiante, segundo a PF.
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