Poder e Governo

Grupos de Jaques Wagner e ACM Neto fazem acordo para deixar caso Master fora da disputa eleitoral na Bahia

Empresa de nora de líder do governo recebeu repasses do banco, enquanto ex-prefeito prestou consultoria

Agência O Globo - 24/03/2026
Grupos de Jaques Wagner e ACM Neto fazem acordo para deixar caso Master fora da disputa eleitoral na Bahia
Grupos de Jaques Wagner e ACM Neto fazem acordo para deixar caso Master fora da disputa eleitoral na Bahia - Foto: Reprodução

Os grupos políticos do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), fecharam um acordo de bastidores para deixar o caso Master fóruns da disputa eleitoral da Bahia neste ano.

ACM vai concorrer novamente ao Executivo estadual e Wagner tentará renovar seu mandato de senador, além de apoiar a reeleição do atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT).

Tanto o ex-prefeito como o senador tiveram nas últimas semanas os seus nomes vinculados ao caso. No dia 11, O GLOBO revelou, com base em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora de recursos Reag. Os valores foram repassados ​​logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. ACM Neto afirmou que os valores são referentes a serviços de consultoria e se colocaram à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça.

Procurados para comentar o acordo, ACM Neto e Wagner não se manifestaram.

No dia 18, o portal Metrópoles mostrou que a nora de Jaques Wagner recebeu pelo menos R$ 11 milhões do Master. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que tem como sócia Bonnie Toaldo Bonilha, casada com um enteado do senador. O contrato foi firmado em 2021. Em nota, o senador disse que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa mencionada”.

No caso do PT, há ainda as relações do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master, com figuras do partido, como o ministro Rui Costa (Casa Civil). Quando era governador do estado, Costa privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Lima.

Lima deixou o Master em 2023 e levou consigo um dos ativos incluídos no leilão promovido pela gestão de Rui Costa, o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores e aposentados.

O ministro incluiu o Credcesta no terceiro leilão da Ebal, após duas tentativas mal sucedidas de venda da empresa de iniciativa privada. Com o Credcesta, a compra passou a ser vantajosa. Em fevereiro, Costa defendeu a decisão que tomou quando era governador e argumentou que a operação de cartão de crédito consignado foi o que viabilizou o negócio.

Depois das últimas revelações, aliados tanto de Jaques Wagner como de ACM Neto conversaram e concluíram que a exploração do caso Master não seria benéfica para nenhum dos lados e decidiram selar o pacto de não agressão em cima desse tema.