Poder e Governo

Após Mendonça determinar prorrogação, presidente da CPI do INSS diz que deve usar mais 60 dias

Cúpula da CPI tem indicado que Lulinha não deverá ter o indiciamento pedido

Agência O Globo - 24/03/2026
Após Mendonça determinar prorrogação, presidente da CPI do INSS diz que deve usar mais 60 dias
Após Mendonça determinar prorrogação, presidente da CPI do INSS diz que deve usar mais 60 dias - Foto: Reprodução

O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou nesta segunda-feira que a comissão deve ter seus trabalhos ampliados em cerca de 60 dias. Mais cedo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), prorrogasse o funcionamento da CPI, que seria encerrada nesta semana.

– Precisávamos de pelo menos mais 60 dias para que a investigação fosse completa. Agora podemos estender em até 120 dias, caso fatos novos surjam e exijam mais tempo. Eu defendo, mas vou conversar, de que nós estendemos a CPI por dois meses porque entendo que é suficiente para que a gente possa entregar ao Brasil uma resposta bem mais consistente em todos os aspectos – disse Viana.

O senador declarou também que deve usar o novo prazo para trazer o depoimento de mais personagens. Ele disse que os nomes a serem chamados não deveriam se centrar nos investigados no caso de desvios de recursos dos aposentados, mas em testemunhas.

Entre os nomes citados estavam no elenco o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto.

Ele também disse que não desistiu de tentar trazer o depoimento de Daniel Vorcaro, que era dono do Banco Master e está preso por envolvimento no escândalo financeiro.

Por sua vez, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPI erroneamente, disse que o seu parecer não vai pedir o indiciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

– Tenho hoje um relatório pronto por volta de 5 mil páginas e 228 indicados. Não cito no relatório, durante essas 5 mil páginas, Lula e Bolsonaro, porque eu tenho uma responsabilidade de fazer uma coisa técnica baseada nos dados da CGU, do TCU e nos depoimentos das quebras de sigilo. Para mim um pouco importante se foi de governo a governo A, B, C ou D. Nosso papel aqui é corrigir uma histórica dívida de Previdência social para com o povo brasileiro – declarou Gaspar.

O relatório também não deve pedir o indiciamento do filho de Lula, ao empresário Fábio Luís Lula da Silva.

Lulinha, como é conhecido, chegou a ter a quebra de sigilo aprovada pela CPI, em votação tumultuada, mas foi anulada posteriormente pelo STF sob alegação de erros de procedimento.

Interlocutores do presidente e do relator da CPI disseram que Lulinha deveria ser citado no relatório por conta das suspeitas que pairavam sobre ele, mas que não há elementos concretos para um pedido de indiciamento.

A defesa de Lulinha foi admitida ao STF na semana passada que fez uma viagem a Portugal ao lado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS” e apontado como figura central nas investigações sobre fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A viagem teria sido protegida por Antônio Carlos, segundos relatos já reunidos no inquérito e pela própria defesa de Lulinha. A defesa de Lulinha afirma que a deslocação teve caráter pontual e sem relação com o esquema investigado.

Nesta decisão de segunda-feira, o ministro André Mendonça solicitou que Alcolumbre recebesse no prazo de 48 horas o requisito de que reúna as assinaturas permitidas para extensão e faça a leitura do documento, estendendo os trabalhos.

Mendonça determinou que, caso a Mesa Diretora e a Presidência não cumpram a ordem no prazo de 48 horas, o requerimento será considerado automaticamente recebido e lido, o que autoriza a própria presidência da CPMI a dar continuidade aos trabalhos pelo período definido pela minoria parlamentar.

Alcolumbre havia indicado resistência em prorrogar os trabalhos da comissão.