Poder e Governo
Após França sinalizar candidatura em SP, Haddad diz não ter ‘nenhuma objeção’, mas que isso inviabilizaria Tebet no Senado
Petista lembrou que, em 2022, ministro do Empreendedorismo ‘tentou candidatura até o último minuto’, mas desistiu: ‘estamos com a disposição de estarmos unidos no primeiro turno’
Pré-candidato ao governo de São Paulo, (PT) afirmou que não tem "nenhuma objeção" a uma eventual , ao cargo, mas que espera uma aliança com o PSB no primeiro turno. Nesta segunda (23), França afirmou ao GLOBO que quer disputar o Palácio dos Bandeirantes, ainda que o PSB seja aliado em esfera nacional ao PT e que esteja se movimentando para compor a chapa do petista em São Paulo.
De 'austericida' e 'Taxad' a cartada do PT:
Em entrevista à Rádio CBN, Haddad falou que a decisão de França, entretanto, pode inviabilizar a ideia de lançar a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ao Senado. . O ex-ministro da Fazenda também lembrou que o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é do PSB, é esperado para ajudar na campanha eleitoral rodando o estado, especialmente no interior, já que Alckmin foi governador por quase 12 anos.
— O Márcio é uma pessoa respeitável, companheiro, ministro do presidente. E pode colocar suas pretensões evidentemente, sem nenhum constrangimento. Nós vamos procurar agregar forças já no primeiro turno, respeitando quem eventualmente pense diferente, mas eu não tenho absolutamente nenhuma objeção às pretensões de quem quer que seja — falou, em sua primeira entrevista após deixar o Ministério da Fazenda.
Haddad lembrou que, em 2022, França se posicionou como candidato ao governo do estado "praticamente até o último minuto", mas depois o partido decidiu apoiar Haddad, que foi para o segundo turno contra o governador (Republicanos).
— Não vai ser hoje que vai mudar o nosso entendimento sobre o respeito ao PSB, inclusive porque somos aliados em muitos estados do país e vamos levar tudo em consideração. Eu não tive ainda uma conversa com o vice-presidente sobre São Paulo, mas ele desde sempre sinalizou que não vai se furtar a rodar o estado para fazer a campanha dessa chapa que vai contar comigo, eventualmente com a Simone, a depender da decisão do Márcio. Obviamente inviabilizaria uma composição para o Senado caso ele lance sua candidatura, mas nós estamos com a disposição de estarmos unidos no primeiro turno — acrescentou.
França deve conversar com o presidente Lula (PT) nesta terça (24),
Haddad ainda disse que não tem vice definido, e pretende conversar com todos os possíveis integrantes de sua futura chapa para definir os caminhos.
Para o Senado, além de Tebet, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), também é uma das cotadas. Havia a expectativa de alguns petistas de que ela trocasse a Rede pelo PT, mas Marina e Haddad conversaram por telefone neste fim de semana e a ministra lhe disse que está mais inclinada a permanecer na Rede. Além do governo, França também pleiteia concorrer a uma vaga ao Senado, mas fontes do PSB afirmam que é "difícil" que a sigla fique com as duas vagas na disputa eleitoral.
O petista reforçou que quer fazer "uma campanha de alto nível" e está com "disposição de debater ideias", e cutucou Tarcísio, afirmando que poderá "esmiuçar a gestão" dele durante a campanha. Ele ainda afirmou que vai "estudar" o tema da privatização da Sabesp, e citou uma "piora" na segurança pública sob o governo Tarcísio, afirmando que a entrada do Comando Vermelho no estado é um "problema novo em São Paulo".
— E um fato notório é que o Tarcísio se preparou, nestes três anos, para ser candidato nacional, e não para reeleição, ele praticamente está sendo empurrado para a reeleição por falta de entendimento dentro do bolsonarismo sobre quem deveria concorrer à presidência. Nós vamos poder esmiuçar o que foi a gestão Tarcísio na segurança, na saúde, na educação, e verificar se o estado mais ganhou ou mais perdeu com essa novidade que foi a candidatura de uma pessoa que não conhecia o estado de São Paulo e acabou se elegendo governador — falou, referindo-se ao fato de Tarcísio ser carioca e ter mudado o título para São Paulo pouco antes da eleição de 2022.
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