Poder e Governo

Castro renuncia ao governo do Rio na véspera de julgamento no TSE, e desembargador assume o cargo

Chefe do Palácio Guanabara corre risco de cassação pela Justiça Eleitoral no caso Ceperj; por falta de vice-governador, deputados terão que eleger substituto após 30 dias

Agência O Globo - 23/03/2026
Castro renuncia ao governo do Rio na véspera de julgamento no TSE, e desembargador assume o cargo
Cláudio Castro - Foto: Reprodução

O governador (PL-RJ) renunciou nesta segunda-feira ao comando do Executivo de estado. A saída do cargo foi comunicada a aliados em uma cerimônia no Palácio da Guanabara, sede do governo, e aconteceu . Castro, que corre risco de ficar inelegível neste julgamento, deseja se candidatar ao Senado, e por isso precisaria deixar o governo até o início de abril. A renúncia antes do prazo derradeiro, segundo interlocutores, é uma tentativa de esvaziar o processo no TSE e escapar da cassação do mandato.

Em entrevista coletiva na sede do governo do Rio, Castro fez um balanço de sua gestão, citou uma série de entregas e lembrou sua chegada ao Palácio Guanabara, em 2019, "de forma completamente improvável", conforme descreveu. Ele se elegeu vice-governador em 2018, na chapa do ex-juiz Wilson Witzel, e assumiu o mandato após o impeachment do titular; depois, Castro se reelegeu em 2022.

— Hoje eu encerro o meu tempo a frente do governo do estado. Vou em busca de novos projetos. Sou pré-candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida— disse Castro.

Previsto para às 16h30, o evento teve um atraso de duas horas para o início. Entre os presentes no Palácio Guanabara estão aliados de Castro que serão candidatos na mesma chapa neste ano, como o ex-secretário de Cidades, Douglas Ruas, que é pré-candidato do PL ao governo; e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), cotado para concorrer ao Senado junto de Castro.

Também estavam presentes deputados estaduais da base governista, como Fred Pacheco (PMN) e Alexandre Knoploch (PL).

Castro é acusado de abuso de poder político, econômico e conduta proibida em relação a agentes públicos em função da campanha de 2024. O Ministério Público eleitoral acusou o governador e seu antigo vice, Thiago Pampolha (hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado), pela contratação irregular de cabos eleitorais através do Ceperj.

Pampolha , após uma costura de Castro com o objetivo, à época, de projetar uma candidatura do então presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar, para sucedê-lo no governo estadual. Na ocasião, Castro indicou Pampolha a uma vaga no TCE para tirá-lo da linha sucessória e favorecer Bacellar, que assumiria o Executivo estadual após a renúncia do governador.

Posteriormente, no entanto, Castro e Bacellar romperam politicamente, e este último no fim de 2025, após uma investigação da Polícia Federal por suspeita de vazamento de inquérito sigiloso e conexões com uma facção criminosa.

Como o estado não tem vice, e o presidente da Alerj está afastado das funções, a linha sucessória passa a ser encabeçada pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto, que assume interinamente o governo. Pela legislação, em seguida, ele deverá organizar uma eleição indireta para que deputados estaduais da Alerj escolham um indicado para comandar o governo durante um mandato-tampão, até a escolha do próximo governador.

Para o pleito indireto, o PL tem expectativa de indicar o ex-secretário das Cidades, Douglas Ruas, — que se desincompatibilização do cargo na semana passada — para a disputa do mandato-tampão, com expectativa de que ele esteja na cadeira durante a campanha eleitoral principal, que irá até outubro. Na semana passada, no entanto, uma liminar no ministro Luiz Fux derrubou parte das regras aprovadas pela Alerj para a eleição indireta, alterando o prazo reduzido de desincompatibilização.

Pelas regras criadas pela Assembleia, os candidatos poderiam deixar os cargos públicos apenas 24 horas antes da votação. O trecho foi anulado por Fux, que retomou ao prazo fixado por lei, de 180 dias.