Poder e Governo

Castro renuncia ao governo do Rio na véspera de julgamento no TSE, e desembargador assume o cargo

Chefe do Palácio Guanabara corre risco de cassação pela Justiça Eleitoral no caso Ceperj; por falta de vice-governador, deputados terão que eleger substituto após 30 dias

Agência O Globo - 23/03/2026
Castro renuncia ao governo do Rio na véspera de julgamento no TSE, e desembargador assume o cargo
Cláudio Castro - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O governador Cláudio Castro (PL-RJ) renunciou nesta segunda-feira ao comando do Executivo estadual. A saída do cargo foi comunicada a aliados em uma cerimônia no Palácio da Guanabara, sede do governo, e aconteceu na véspera da retomada do julgamento do caso Ceperj pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Castro, que corre risco de ficar inelegível neste julgamento, deseja se candidatar ao Senado, e por isso precisaria deixar o governo até o início de abril.

— Hoje eu encerro o meu tempo à frente do governo do estado. Vou em busca de novos projetos. Sou pré-candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida — disse Castro.

Previsto para as 16h30, o evento teve um atraso de duas horas para o início. Entre os presentes no Palácio Guanabara estão aliados de Castro que serão candidatos na mesma chapa neste ano, como o ex-secretário de Cidades, Douglas Ruas, que é pré-candidato do PL ao governo; e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), cotado para concorrer ao Senado junto de Castro.

Também estavam presentes deputados estaduais da base governista, como Fred Pacheco (PMN) e Alexandre Knoploch (PL).

Castro é acusado de abuso de poder político, econômico e conduta proibida em relação a agentes públicos em função da campanha de 2024. O Ministério Público eleitoral acusou o governador e o vice, Thiago Pampolha (hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado), pela contratação de servidores na época da eleição pela Ceperj.

Como o estado não tem vice, o presidente do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto, assume interinamente. Pela legislação, em seguida, ele deverá organizar uma eleição indireta para que deputados estaduais da Alerj escolham um indicado para comandar o governo durante um mandato-tampão, até a escolha do próximo governador.

Para o pleito indireto, o PL tem expectativa de indicar o ex-secretário das Cidades, Douglas Ruas, — que se desincompatibilização do cargo na semana passada — para a disputa do mandato-tampão, com expectativa de que ele esteja na cadeira durante a campanha eleitoral principal, que irá até outubro. Na semana passada, no entanto, uma liminar no ministro Luiz Fux derrubou parte das regras aprovadas pela Alerj para a eleição indireta, alterando o prazo reduzido de desincompatibilização.

Pelas regras criadas pela Assembleia, os candidatos poderiam deixar os cargos públicos apenas 24 horas antes da votação. O trecho foi anulado por Fux, que retomou ao prazo fixado por lei, de 180 dias.