Poder e Governo

Sem espaço na chapa do PT, Márcio França vai falar a Lula que quer concorrer ao governo de SP

Ministro do PSB reconhece que ideia esbarra em disputa de votos com Haddad, mas crê em reforço nos debates e em união contra Tarcísio

Agência O Globo - 23/03/2026
Sem espaço na chapa do PT, Márcio França vai falar a Lula que quer concorrer ao governo de SP
O ministro do Empreendedorismo, Márcio França - Foto: reprodução

O ministro das Micro e Pequenas Empresas, Márcio França (PSB), terá uma conversa esta semana com o presidente Lula para dizer que quer ser candidato a governador em São Paulo. Nas últimas semanas, ele perdeu espaço na montagem da chapa do PT no estado. Ele também era cotado para concorrer ao Senado, mas, com a filiação de Simone Tebet ao seu partido, não há garantia de que o PSB fique com as duas vagas de centro-esquerda.

Mesmo diante de um possível conflito com eleitores de Fernando Haddad (PT), recém-anunciado pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, França diz que sua candidatura poderia ajudar Lula no âmbito nacional.

– Eu disse que desde o início o presidente Lula teria que tomar essa decisão. E esta semana, certamente, eu falarei com o presidente. E aí vamos tomar uma decisão. Nós temos várias possibilidades. Por exemplo, eu ser candidato a governador mesmo – afirmou França, ao GLOBO.

Ao ser questionado se uma possível candidatura não poderia se chocar com a de Haddad, o ministro reconhece que há a chance de haver disputa de votos, mas diz acreditar que sua participação na disputa reforçaria a presença da ala centro-esquerda nos debates eleitorais no estado.

– Não seria contra o Haddad (a candidatura), pois é contra todos, na verdade. Ou a favor de mim. É uma possibilidade. Em relação aos debates, você tem dados que são interessantes. Por exemplo, tem emissora que já marcou debates para o primeiro turno. Mas só fará debates se houver, no mínimo, duas pessoas acima de 5% dos votos. Se houver só dois candidatos e um deles não for, porque evidentemente o Tarcísio não irá, não tem debate. Se tiver dois, tem debate. Enfim, tem várias coisas que agora complicam outras, porque (minha candidatura) também tira voto (de Haddad) – diz França.

Uma outra possibilidade seria França pleitear a vice de Haddad, mas o ministro diz preferir a presença de uma mulher para compor a chapa do petista.

– Eu acho que, escolhido o Haddad para ser do nosso campo, ele devia procurar de preferência uma mulher, de preferência que não fosse dessa área política. É o que ele tem falado também. Uma mulher empresária ligada a um outro campo para ver se agrega. Esse debate hoje, das pautas mulheres, é um debate real e ele é verdadeiro do ponto de vista eleitoral. A chapa do lado de lá, do Tarciso, é composta basicamente, nesse momento, por quatro homens. Então, seria um bom contraponto falar que o nosso tem equilíbrio – ressaltou o ministro do PSB.

Alckmin na vice de Lula novamente

Após a fala de Lula na semana passada, de que , em referência a uma possível candidatura ao Senado, o ministro Márcio França reforçou o que o entorno do ex-tucano vem dizendo há meses: ou a vice, ou nada, embora Lula poderá usar sua força para conseguir fazê-lo mudar de ideia.

– A mim ele disse que, em não sendo vice, estará em Pinda [monhangaba, sua cidade natal] capinando e vai torcer e vai ajudar naquilo que for possível, mas não tem pretensões a outra candidatura. Agora, eu sempre falo, que quem não quer ser convencido pelo Lula, não vai falar com o Lula – diz França.

Ainda sobre o vice-presidente, França diz que Alckmin poderia ajudar Fernando Haddad em São Paulo, mesmo estando na chapa presidencial, para conseguir reduzir o histórico de rejeição dos paulistas do interior ao PT. Porém, nesse caso, o próprio ministro das Pequenas e Médias Empresas não poderia estar no páreo, como quer.

– Não existe nenhuma cidade de São Paulo em que ele já não tenha ido 10 vezes, das 645 cidades. Ele sabe o nome do dono da padaria, onde fica a padaria, que gosto tem o café. Alckmin é o homem que mais conhece São Paulo. Ele poderia ajudar o Haddad, sim – afirma França. No entanto, o ministro acredita que, caso seja candidato, terá o apoio de Alckmin.