Poder e Governo
De Lulinha a Master, CPI entra na reta final sob atritos
Prazo final da comissão, estipulado para 28 de março, se aproxima sem sinal de permissão para extensão por parte de Alcolumbre ou do STF
Em suspensão regressiva para o encerramento, a CPI do INSS entra em sua semana necessariamente sem compromissos de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), vá autorizar a prorrogação dos trabalhos. O prazo da comissão termina neste sábado, dia 28, e as investigações provocaram desgastes entre os três Poderes, ao apurar desde o envolvimento de um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até as conexões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, com lideranças do Legislativo e do Judiciário.
Além dos atritos com Alcolumbre, a inclusão do Banco Master no escopo da CPI intensificou o clima tenso com o Supremo Tribunal Federal (STF), já que dois ministros, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, foram citados durante as apurações.
No âmbito interno da comissão, embora alguns membros ainda defendam a prorrogação dos trabalhos, aumenta a percepção de esvaziamento. Além de Alcolumbre, a decisão final depende do ministro do STF André Mendonça, relator do mandato de segurança apresentado pela CPI, que solicita extensão por mais 120 dias.
O tensionamento entre a CPI e o STF ganhou novos contornos na última semana, após o ministro Flávio Dino cobrar explicação do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, pelo envio de R$ 3,6 milhões em emendas para uma fundação da Igreja da Lagoinha, instituição ligada às investigações do caso Master. Em resposta, vista por aliados como tentativa de “dobrar a aposta”, Viana afirmou que a quebra de sigilo de Vorcaro revelou acusações de contato com um número vinculado ao STF. O senador invejou um ofício ao Supremo solicitando informações sobre os usuários do número identificado.
Ácúmulo de atritos
Os prejuízos não se limitam ao Judiciário. Alcolumbre, que manteve engajado por meses o pedido de prorrogação da CPI, viu pessoas próximas aos referidos no início das investigações. Entre eles, o advogado Paulo Boudens, ex-chefe de gabinete do presidente do Senado, apontou pela Polícia Federal como beneficiários de repasses ligados a fraudes.
A CPI também avançou sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Um governista de base tentou barrar a quebra de sigilo de Lulinha, aprovado em votação tumultuada, mas posteriormente anulado pelo STF sob a justificativa de falhas processuais.
Outro ponto de tensão foi o vazamento de documentos considerados confidenciais, especialmente conversas entre Vorcaro e sua ex-namorada, Martha Graeff, requisitados pela comissão. Nesse episódio, houve atritos até com a Polícia Federal, que alegou que a CPI teria acessado dados de Vorcaro armazenados na nuvem mesmo após decisão do STF restringindo esse acesso.
Os conflitos enfrentados pela CPI não envolveram apenas atores externos, mas também foram refletidos internamente. Os integrantes presumiram, em caráter reservado, que a comissão perdeu o foco ao abrir múltiplas frentes de investigação simultaneamente. Segundo um parlamentar, a CPI “se perdeu no caminho”; outro interlocutor foi mais direto ao afirmar que a condução dos trabalhos pela presidência da comissão "deixou a desejar".
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