Poder e Governo

Com renúncia de Zema, vice assume com desafios na administração estadual e em tentativa de se tornar conhecido antes das eleições

Desconhecido, Mateus Simões (PSD) tenta se firmar como nome da direita, enquanto o ex-governador sonha com o Planalto

Agência O Globo - 23/03/2026
Com renúncia de Zema, vice assume com desafios na administração estadual e em tentativa de se tornar conhecido antes das eleições
Com renúncia de Zema, vice assume com desafios na administração estadual e em tentativa de se tornar conhecido antes das eleições - Foto: Reprodução / Instagram

Com a renúncia do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o vice-governador Mateus Simões (PSD) assumem o comando do estado em meio aos desafios impostos pela administração local e com a proximidade do período eleitoral. Simões deverá assumir as entregas de infraestrutura iniciadas pela gestão atual, mas herdará impasses relacionados ao reajuste dos servidores e à privatização da Copasa, estatal de saneamento básico mineiro. Paralelamente, o vice-governador deverá trabalhar para se tornar conhecido como sucessor de Zema, diante da competitividade de outros nomes que se colocam como opções para representar a direita no estado nas urnas.

Em São Paulo:

STF:

Ao assumir o comando do estado, Simões herdará a entrega de um pacote de infraestrutura, incluindo a conclusão de três hospitais regionais e a instalação da linha 2 do metrô de Belo Horizonte (MG), além do início das obras do Rodoanel Metropolitano da capital. O vice-governador também trará a privatização da Copasa, autorizada pela Assembleia Legislativa (ALMG) no ano passado.

A inciativa, no entanto, passou a ser alvo de críticas levantadas pela oposição, que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar uma das emendas aprovadas junto ao texto que retirou a obrigatoriedade de uma consulta popular antes do avanço da desestatização. Entre os planos do governo, no entanto, está o uso do valor obtido com a alienação dos ativos da estatal para o pagamento da dívida de Minas com a União, atualizado para cerca de R$ 180 milhões.

Além disso, a administração estatual deve lidar com a pressão para a recomposição salarial aplicada pelos servidores, que motivou greves entre trabalhadores da saúde e da educação, que não sofreram mudanças desde 2024. O governo propôs um reajuste salarial de 5,4% para o funcionalismo público, um pouco acima da inflação registrada em 2025, de 4,26%, e agora depende da aprovação da proposta pela Assembleia. Na semana passada, a Casa derrubou dois vetos de Zema.

Um deles foi um veto total do governador ao projeto de lei que autoriza o governo a conceder promoção por escolaridade a servidores da educação superior sem a exigência do cumprimento de cinco anos no mesmo nível. Já o segundo foi um veto parcial, restrito a um artigo de um texto que prevê que os empreendimentos minerários devem apresentar anualmente um plano de provisão de rejeitos que contemplam as áreas degradadas.

Desafio

Pré-candidato ao governo, Mateus também deverá fazer campanha ocupando a cadeira de governador, sendo desafiado pelo percentual de desconhecimento do seu nome no estado. Dados da última rodada de pesquisas realizadas pela Genia/Quaest, realizadas no ano passado, o vice-governador apontou 4% das intenções de voto nas simulações de primeiro turno.

Na liderança, o levantamento avaliado pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), com 26%.

Nas últimas semanas, depois de receber o aval dos diretórios estaduais e nacionais dos Republicanos, o parlamentar voltou a sinalizar que sairá candidato. No último final de semana, ele chegou a apontar o prefeito de Patos Minas e o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (Republicanos) como o escolhido para ocupar a vaga de vice. Dentro da campanha de Simões, a possibilidade de Cleitinho se candidatar é vista como um risco, mas é dada como incerta.

O vice-governador também desenhou o restante de sua chapa, garantindo a indicação de seu vice vence a carga de Zema, que deverá escolher entre os nomes da vereadora de Belo Horizonte Fernanda Altoé (Novo), considerada amiga pessoal de Mateus, ou o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), irmão de Cleitinho. Também foi considerado para a vaga o ex-deputado federal Tiago Mitraud (Novo).

Já para o Senado, Simões deverá indicar ao ex-secretário de Minas, Marcelo Aro (PP), que se descompatibilizou a carga na semana passada.

A outra vaga na chapa, afirma o vice-governador, foi reservada ao PL. Nacionalmente, o partido decidiu lançar uma candidatura própria e chegou ao cotar do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que descartou a possibilidade. Paralelamente, o presidente da Federação das Indústrias de Minas (Fiemg), Flávio Roscoe, foi colocado como possível candidato, mas o partido ainda não bateu o martelo. Simões afirma que ainda tem expectativa de que a sigla estará ao seu lado em outubro.

— Sobre essa decisão do PL, isso vai depender de um pequeno momento da conversa nacional. Eu vou continuar trabalhando para que a gente tenha uma união local, ainda que a gente tenha mais de um candidato à Presidência. Até porque o presidente Bolsonaro veio em Minas defender isso, dizendo que ele ia escolher um candidato ao Senado para a minha chapa e que o Zema tinha que ser candidato — disse.

Do lado da esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD), que deveria trocar de partido, mas deixou em aberta a possibilidade de se candidatar ao governo do estado. Como plano B, o PT não está considerando apoiar o ex-prefeito de BH Alexandre Kalil (PDT) ou lançar outros nomes menores do partido.

— A esquerda é curiosa, porque quem eles querem que seja candidato não quer ser. E quem quer ser, o Kalli, eles não querem. No fundo, o mineiro não quer ninguém que seja do PT. Eles estão lançando candidatos para apoiar o Lula — disse.