Poder e Governo
Moraes determina prisão de contador no Rio por suspeita de vazamento de dados de familiares de ministros do STF
Washington Travassos de Azevedo foi transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó após prisão no último dia 13
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a prisão do contador Washington Travassos de Azevedo, suspeito de envolvimento em um esquema de vazamento de dados fiscais de familiares de ministros do STF e outras autoridades. A prisão foi noticiada inicialmente pela Folha de S. Paulo neste sábado e confirmada pelo jornal O Globo. Em nota, o STF informou que Washington foi identificado pela Polícia Federal como "um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional".
De acordo com documentos do governo do Rio de Janeiro obtidos pelo GLOBO, Washington foi preso no último dia 13, no presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte da capital fluminense. Na quinta-feira, dia 19, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária comunicou que o contador estava apto para ser transferido ao Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu), na Zona Oeste. Segundo a secretaria, a transferência ocorreu devido à abertura de vagas em Bangu.
Procurada, a defesa de Washington não quis se manifestar neste sábado.
A Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento nos vazamentos. Uma das linhas de investigação aponta que servidores da Receita Federal teriam violado ilegalmente o sigilo fiscal de ministros do STF e seus parentes.
A prisão de Washington ocorreu uma semana após essa operação e também foi realizada pela Polícia Federal, que o encaminhou ao sistema prisional do Rio. Segundo a Folha de S. Paulo, o contador teria admitido participação no esquema.
Em nota, o STF afirmou que a prisão de Washington ocorreu no dia 14 — embora documentos do governo do Rio indiquem sua entrada no sistema prisional no dia 13 — e informou que a "audiência de custódia foi regularmente realizada no mesmo dia".
O Supremo ainda destacou que o contador foi apontado pela Procuradoria-Geral da República, em despacho que fundamentou a prisão, como um dos responsáveis pelo esquema de acesso a "dados constantes de DIRPF (Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física) de 1.819 contribuintes, entre os quais pessoas vinculadas a ministros do STF, ministros do TCU, deputados federais, ex-senadores, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública".
Segundo a Corte, o esquema envolvia o "download das declarações" de Imposto de Renda dessas pessoas, informações protegidas por sigilo fiscal.
Washington está inscrito como contador no Rio, com registro ativo junto ao Conselho Federal de Contabilidade. Ele mantém uma firma de contabilidade na capital fluminense, aberta em 2015, e recentemente abriu uma empresa em São Paulo.
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