Poder e Governo
Mendonça afirma que papel de um bom juiz não é ser estrela e destaca responsabilidade ao julgar
Ministro tornou-se relator do caso Master do STF após Dias Toffoli deixar o processo em meio a uma série de revelações que resvalaram na Corte
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira que 'o papel de um bom juiz não é ser estrela', mas sim 'simplesmente assumir a responsabilidade e julgar'. Mendonça é o atual relator do caso Master na Corte, que investiga uma série de acusações contra o banqueiro André Vorcaro, atualmente em tratativas para uma possível delação premiada.
Mendonça assumiu a relatoria após o ministro Dias Toffoli deixar o caso em meio a revelações sobre possíveis conexões com Vorcaro, envolvendo, entre outros pontos, a venda de um resort com participação societária do magistrado. As investigações também atingem Alexandre de Moraes, que manteve conversas com o banqueiro no dia de sua primeira prisão, em novembro, conforme revelou a colunista do GLOBO, Malu Gaspar. Além disso, o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, mantinha contrato com o Master.
Durante palestra na seção do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Mendonça declarou: — Meu grande desafio em qualquer processo é entender o que é certo, decidir de modo certo e fazer isso pelos motivos certos. Por isso, eu não tenho a pretensão de ser uma esperança, ou alguém diferente em algum sentido, com algum dom especial. Tenho só a expectativa de tentar fazer o certo pelos motivos certos. E acho que esse é o papel de um bom juiz. O papel de um bom juiz não é ser estrela, é, simplesmente, assumir a responsabilidade e julgar — afirmou. — E como eu sou cristão, peço a Deus que eu julgue de forma certa, reconhecendo, ao mesmo tempo, que não somos perfeitos.
Mendonça também relembrou sua passagem pela Advocacia-Geral da União (AGU) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), responsável por sua indicação ao STF em 2021. Na ocasião, Bolsonaro destacou como uma das razões para a escolha o fato de Mendonça ser 'terrivelmente evangélico'.
Em seu discurso, o ministro não fez menção direta ao caso que relata no Supremo, mas reforçou a importância de todos os membros da Corte, ressaltando não ter 'a pretensão de ser salvador de nada':
— Acho que todos nós ali somos importantes, as 11 cadeiras (do STF), com sua devida importância e sua devida responsabilidade. Ao mesmo tempo, quero registrar que não tenho a pretensão de ser salvador de nada. Eu entendo que é um munus publicum (termo em latim usado no direito para designar função pública), ali há muito mais responsabilidade e deveres do que prerrogativas e poderes. Ao final, ao cabo, somos servidores públicos e, como tal, devemos preservar a relação de confiança que a sociedade deposita em nós como servidores públicos.
Em outro momento, Mendonça ressaltou aos presentes a importância da advocacia:
— Vocês são desafiados. Você precisa projetar a sua carreira, precisa ser um projeto de realizar esses fundamentos e objetivos que a Constituição traz para nós, que eu posso resumir em uma sociedade livre, justa e solidária. O Brasil precisa de advogados que resolvam problemas de forma séria, ética e responsável — discursou.
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