Poder e Governo

Governo teme que Vorcaro use delação para envolver Executivo no caso Master

Banqueiro assinou termo de confidencialidade com a PF e a PGR

Agência O Globo - 20/03/2026
Governo teme que Vorcaro use delação para envolver Executivo no caso Master
Governo teme que Vorcaro use delação para envolver Executivo no caso Master - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Integrantes do governo manifestam preocupação com a possibilidade de o banqueiro Vorcaro utilizar uma eventual delação premiada para envolver membros do Executivo no caso Master. Segundo fontes, Vorcaro não teria nada a perder, o que poderia gerar instabilidade no cenário político.

Avanços no caso Master

Na última quinta-feira, Vorcaro foi transferido de um presídio federal no Distrito Federal para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A movimentação ocorreu após ele assinar um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, etapa inicial para um possível acordo de colaboração premiada.

Nos bastidores, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionam a necessidade de uma delação do banqueiro. Argumentam que a Polícia Federal já possui dados das contas bancárias e aparelhos celulares de Vorcaro, considerados suficientes para sustentar as investigações sem a colaboração formal do réu.

Até o momento, o governo tem adotado o discurso de que o caso Master atinge mais políticos da direita do que da esquerda. Perfis alinhados ao governo chegaram a divulgar nas redes sociais conteúdos que associam o escândalo ao nome "Bolsomaster".

Relações políticas minimizadas

As conexões de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, têm sido minimizadas por integrantes do governo. A justificativa é que, até o momento, não há indícios concretos de que Lima tenha sido beneficiado no âmbito do Credcesta — cartão de crédito consignado para servidores públicos, operado pelo governo da Bahia e privatizado em 2018. Após a privatização, um decreto do então governador Rui Costa alterou as regras do cartão, ampliando seu alcance no mercado.

Novas revelações e posicionamentos

Recentemente, foi divulgado que a nora do senador Jaques Wagner recebeu ao menos R$ 11 milhões do Master, segundo o portal Metrópoles. O valor teria sido pago à empresa BK Financeira, de sua propriedade. Em nota, Wagner afirmou não ter conhecimento de qualquer investigação e negou participação em intermediações ou negociações em favor da empresa.

Além disso, em dezembro de 2024, o presidente Lula recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto, em agenda não oficial. O encontro foi intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, então consultor do Master.

Em janeiro, veio à tona que o escritório de advocacia do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski recebeu R$ 5 milhões do Banco Master por serviços de consultoria jurídica. O contrato foi mantido mesmo após Lewandowski assumir o Ministério da Justiça, em fevereiro de 2024.