Poder e Governo

Com regra rígida para eventual eleição indireta no Rio, PL recalcula rota, enquanto Paes afunila nomes para disputa

Com o entendimento de que é preciso estar fora de cargos do Executivo há pelo menos seis meses, o principal nome da direita, Douglas Ruas, que ocupa cargo de secretário de Cidades no governo, ficou inviabilizado

Agência O Globo - 20/03/2026
Com regra rígida para eventual eleição indireta no Rio, PL recalcula rota, enquanto Paes afunila nomes para disputa
Com regra rígida para eventual eleição indireta no Rio, PL recalcula rota, enquanto Paes afunila nomes para disputa - Foto: Reprodução

A decisão do ministro Luiz Fux que atendeu a questionamentos do PSD sobre a eleição indireta que o Rio tende a enfrentar nos próximos meses alterou os movimentos partidários no estado. Os nomes cotados até então não preenchem os requisitos legais impostos pelo juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), que deu vitória jurídica à sigla de Eduardo Paes. Pré-candidato ao governo, o prefeito iniciou conversas para ter um representante na indireta, enquanto o PL do presidenciável Flávio Bolsonaro recalcula a rota.

Na Polícia Federal:

Audiências com integrantes da Corte:

Com o entendimento de que é preciso estar fora de cargos do Executivo há pelo menos seis meses para a disputa — que acontecerá com a renúncia de Cláudio Castro (PL) porque o Rio está sem vice-governador —, o principal nome da direita ficou inviabilizado. Deputado estadual licenciado, Douglas Ruas (PL) ocupa o cargo de secretário de Cidades no governo. O objetivo do partido era colocar o pré-candidato como governador na eleição indireta para torná-lo conhecido antes do embate contra Paes em outubro.

No PSD, há otimismo pela manutenção, no plenário, da decisão monocrática de Fux. Na prática, a liminar, se mantida, faz com que a votação indireta se transforme em uma disputa interna entre deputados da Alerj. Paes, inclusive, já trabalha com alguns nomes. O principal, como antecipou o colunista Bernardo Mello Franco, é Chico Machado (Solidariedade), que assumiria o compromisso de não tentar a reeleição nas urnas.

Machado foi braço direito do presidente afastado da Casa, Rodrigo Bacellar (União). Em janeiro, Paes declarou que qualquer deputado do PSD que votasse em alguém ligado a Bacellar seria expulso. Na época, o alvo do ataque era o ex-deputado André Ceciliano (PT), mas o eventual apoio a Machado exigiria posicionamento do prefeito sobre isso.

Além de Machado, outros ventilados no grupo de Paes são Rosenverg Reis (MDB) e André Corrêa, do PP, mas que pode migrar para o PSD.

— Sinto quase unanimidade na Casa para eleger um deputado na eleição indireta. Mas não estou postulando isso. Acho que hoje, pela posição institucional que ocupa, o nome natural acaba sendo o presidente Guilherme Delaroli — afirma Corrêa.

Interino desde que Bacellar foi afastado pela Justiça, Delaroli virou nome natural no PL. Além disso, ele é do mesmo grupo político de Ruas, cujo líder é o deputado federal e presidente estadual, Altineu Côrtes. Acontece que, virando governador no mandato-tampão, o único cargo possível de disputar em outubro é a reeleição, sendo que já está definida a candidatura de Ruas pelo PL no pleito geral.

Trata-se de um empecilho que todos os deputados precisam considerar, mas para Delaroli há um adicional: como o irmão dele é prefeito de Itaboraí, as regras envolvendo nepotismo o impedem de tentar o cargo em 2028, o que poderia significar mais quatro anos fora das urnas.

— O plenário vai decidir sobre essa lei, se permanece em vigor ou não. É óbvio que isso nos faz ter que nos reunir novamente e pensar em cenários — disse ontem o senador Flávio Bolsonaro, em evento do Grupo Lide no Rio.

Para embolar ainda mais o complexo cenário do Rio, o estado precisará encarar uma eleição para presidente da Assembleia caso Bacellar seja cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso Ceperj, o mesmo que ameaça o cargo de Castro. No momento, ele está afastado pela investigação criminal sobre a relação com o Comando Vermelho. O fato de ser apenas interino deixa Delaroli de fora da linha sucessória do estado.

O cálculo, agora, é se Ruas construiria maioria para ser eleito presidente da Casa, o que, na prática, o faria assumir o governo imediatamente, em vez de a missão passar para o presidente do Tribunal de Justiça. Neste caso, caberia a ele, e não ao chefe do Judiciário, formalizar a convocação da disputa indireta pelo mandato-tampão. O político do PL, então, teria um tempo como governador antes de encarar Paes em outubro.

Tudo isso se dá enquanto outro impasse causa rumores. Com a iminência do prazo para deixar o cargo a fim de poder disputar o Senado, além da tendência a ser condenado pelo TSE no caso Ceperj, Castro ventila diferentes opções de data para renunciar. A última versão aponta para uma saída na próxima segunda-feira.

Curi deixa cargo

Ontem, no mesmo evento em que Flávio comentou a decisão de Fux, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, confirmou que sairá hoje do governo para poder disputar eleições. No momento, ele é cotado para deputado federal. Outrora favorito de Flávio para governador, Curi é um “coringa” que tende a ocupar a vaga de Castro na eleição do Senado caso o governador fique judicialmente impedido.