Poder e Governo

Tarcísio se reúne com Moraes no STF e pede prisão domiciliar para Bolsonaro

Governador de São Paulo, aliado do ex-presidente, teve audiências com cinco ministros da Corte

Agência O Globo - 20/03/2026
Tarcísio se reúne com Moraes no STF e pede prisão domiciliar para Bolsonaro
Tarcísio e Moraes confraternizam em cerimônia no STJ em dezembro de 2022 - Foto: Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, esteve no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (20) para uma série de reuniões com cinco ministros da Corte, incluindo o presidente, Edson Fachin, e o vice-presidente, Alexandre de Moraes. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Tarcísio fez um apelo a Moraes para que Bolsonaro seja transferido para o regime de prisão domiciliar.

Segundo interlocutores do governador, o tema da prisão domiciliar foi tratado apenas com Moraes. Em visita anterior ao Supremo, Tarcísio já havia defendido a mudança de regime para o ex-presidente. Nesta semana, o senador Flávio Bolsonaro também se reuniu com Moraes para solicitar a transferência do pai para casa.

De acordo com relatos publicados pelo jornal O Globo, Tarcísio argumentou com Moraes sobre o estado de saúde de Bolsonaro e as condições em que ele se encontra. Condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente está preso desde 15 de janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, conhecido como Papudinha. No dia 13 de março, Bolsonaro foi internado no hospital DFStar após ser diagnosticado com pneumonia bacteriana e chegou a ser transferido para a UTI.

Diante do quadro clínico, a defesa do ex-presidente apresentou novo pedido de prisão domiciliar, alegando necessidade de cuidados médicos contínuos. Relatórios médicos anexados à petição indicam histórico de doenças respiratórias, apneia do sono e outras comorbidades, o que exigiria monitoramento constante e resposta médica imediata em caso de intercorrências.

Conforme apurou O Globo, há ministros do STF que avaliam que a concessão da prisão domiciliar pode servir como proteção institucional para a Corte, diante do agravamento da saúde de Bolsonaro e dos possíveis desdobramentos políticos do caso. Integrantes do governo federal e do PT também consideram, em caráter reservado, que a piora clínica reforça a necessidade de que o ex-presidente cumpra pena em casa.

Atualmente, Bolsonaro está detido em uma cela de 64,83 metros quadrados — área equivalente à de um apartamento padrão de dois quartos —, sendo 54,76 m² de área coberta e 10,07 m² de área externa. A estrutura inclui banheiro, cozinha, lavanderia, quarto, sala e área externa. As acomodações contam ainda com geladeira, armários, cama de casal, televisão e chuveiro de água quente.