Poder e Governo

Lula diz que vaga de vice está aberta para Alckmin, mas candidatura ao Senado pode 'ajudar mais'

Presidente comentou situação do atual vice durante anúncio de candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo

Agência O Globo - 20/03/2026
Lula diz que vaga de vice está aberta para Alckmin, mas candidatura ao Senado pode 'ajudar mais'
Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva • Ricardo Stuckert - Foto: Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira, 19, que a vaga de vice na chapa de reeleição “está aberta” para o atual ocupante do cargo, Geraldo Alckmin (PSB), mas pressionou publicamente para que o aliado avalie disputar uma cadeira ao Senado pelo estado de São Paulo.

Segundo ele, o grupo adversário “não tem senador para disputar conosco” e, ao mesmo tempo, o recém anunciado pré-candidato ao governo, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, precisa de uma chapa forte para vencer o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

— Eu ficarei imensamente feliz em ter o Alckmin vice outra vez. É um companheiro que eu aprendi a gostar, de muita lealdade, com muita competência de trabalho, um executivo extraordinário, ele só me ajuda. Mas você tem que conversar com o Haddad para saber onde colheremos mais frutos dele. Se ser candidato ao Senado, sabe, ajuda mais — disse Lula.

— Se ele for meu vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar. Eles não tem senador para disputar conosco, vão inventar nomes. Já tivemos dois senadores em São Paulo e podemos voltar a ter. Não sei se o Geraldo vai ser candidato ao Senado. A vaga de vice está aberta para ele — completou o petista.

Banco Master e política 'podre'

O petista afirmou que deseja lançar a candidatura à reeleição “na porta de fábrica”, em São Bernardo do Campo, como na primeira vez que foi às urnas, em 1989.

— Não é voltar ao passado, do ponto de vista do saudosismo, é que eu acho que a política apodreceu. Há uma promiscuidade generalizada, em todos os partidos, e precisamos voltar a fazer a política valer a pena. E isso se faz com exemplo — disse ele.

— Eu tenho 80 anos de idade, se tivesse juízo perfeito eu ia para casa. Desde 1978 eu digo que vou fazer isso, já são 50 anos. E agora vocês pensam que eu não vou ser candidato? Eu vou ser candidato, sim, porque enquanto esse jovem com 80 primaveras, mas com energia de 30, estiver vivo, a extrema direita não volta a governar esse país.

Lula alegou ainda que essa “não é uma eleição normal”, mas da “democracia contra o fascismo”, e reclamou da resistência de auxiliares pela abertura de uma CPI sobre as fraudes no INSS, entre outros casos que causam ruído na opinião pública e pressionam a popularidade do governo.

— Quem descobriu toda a roubalheira na Previdência Social foi o nosso governo, a CGU e a PF. Eles abriram a CPI e, em vez de a gente ir para cima deles, eles estão indo para cima de nós. Na política, quando a gente vacila, pagamos um preço muito alto — alegou.

Na sequência, atribuiu o escândalo do Banco Master ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central.

— Esse Banco Master é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Campos Neto. E não deixaremos pedra sobre pedra. Se a gente não tiver cuidado, vão tentar dizer que fomos nós. Esse banco nasceu em 2019, quem reconheceu foi o Roberto Campos Neto, e todas as falcatruas foram feitas por ele.

Candidatura de Haddad

O PT anunciou, nesta quinta-feira, 19, a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo do estado de São Paulo. O partido repete, assim, a estratégia adotada há quatro anos, quando o político chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Tarcísio. A confirmação ocorreu por meio de pronunciamento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

Lula fez um relato do modo como convenceu Haddad a entrar na disputa:

— Eu tive uma conversa com Haddad e disse o seguinte: a situação política do Brasil e do mundo é tão grave que se a gente não pegar as melhores pessoas que a gente tem em cada estado e fazer a luta pela democracia, corremos o risco de entregar mais uma vez a democracia na mão dos fascistas que fizeram um estrago tão grande — disse ele.

O anúncio era esperado desde semana passada e se concretizou após duas agendas de uma comitiva do governo federal no estado — uma caravana com prefeitos, pela manhã, e uma homenagem ao ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, no final da tarde. No sindicato, à noite, Lula e Haddad falam à militância em um local simbólico, onde o líder petista iniciou a sua trajetória política como dirigente da categoria e organizou greves de operários que dariam origem ao PT.

O evento teve a presença dos ministros Luiz Marinho (Trabalho), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Camilo Santana (Educação) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), além do vice-presidente Geraldo Alckmin e parlamentares e aliados.

Haddad alegou que entra na disputa para ganhar e que foi escolhido dentro de um debate sobre o “melhor arranjo para apresentar a São Paulo, com as melhores chances de vitória e de transformação do nosso estado”.

— Não disputo eleição para barganhar qualquer coisa que seja, eu disputo eleição para ganhar. A vitória política é sempre possível, basta você se apresentar de cara limpa, com um bom projeto, que vai angariar apoio, crescer e despertar as pessoas. Vamos ter um debate duro pela frente, mas que pode resultar nesse despertar tão importante para o povo paulista — afirmou o pré-candidato.