Poder e Governo
CPI do INSS solicita ao STF identificação de usuário de linha telefônica em troca de mensagens com Vorcaro
Comissão pede histórico de uso da linha e busca saber quem utilizava o telefone na data da comunicação
A CPI do INSS enviou, nesta quinta-feira, um ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando informações sobre quem utilizava um número de telefone institucional identificado nos registros do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A linha foi localizada a partir da quebra de sigilo e teve sua titularidade ao STF confirmada, segundo o presidente do colegiado, após consulta às operadoras por meio do Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos (SITTEL).
O pedido foi encaminhado ao diretor-geral do Supremo, responsável pela gestão administrativa da Corte, com a solicitação do histórico de usuários da linha nos últimos cinco anos, com ênfase na data em que ocorreu a troca de mensagens com Vorcaro.
A comissão estipulou prazo de dois dias úteis para resposta.
De acordo com a CPI, a confirmação da vinculação do número ao STF indica que o ex-banqueiro manteve contato com alguém ligado à Corte, mas ainda não há elementos suficientes para identificar quem estava com o aparelho no momento da comunicação. Por esse motivo, a comissão decidiu formalizar o pedido diretamente ao tribunal.
— O relatório que recebemos confirma que o número é do STF. Isso indica que houve contato com alguém ligado à Corte, mas não posso afirmar que se tratava do ministro Alexandre de Moraes. Por isso, estamos oficiando o Supremo para saber quem utilizava o aparelho no momento da comunicação — afirmou o presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Segundo a colunista do GLOBO, Malu Gaspar, a troca de mensagens ocorreu na data da primeira prisão do dono do Master.
Às 17h22 daquele dia, o ministro Moraes enviou um print de bloco de notas do celular com a pergunta: “Conseguiu bloquear?”. Outras mensagens trocadas com o mesmo número mencionavam detalhes sobre a possibilidade de venda do Master. O diálogo foi realizado pelo modo de visualização única do WhatsApp.
Viana não esclareceu qual foi a troca de mensagens que motivou o pedido da CPI.
Sem confirmação sobre o usuário da linha, a comissão optou por evitar atribuições diretas e avançar pela via institucional. Viana tem reiterado que não é possível apontar Moraes como titular da linha.
Em nota, a presidência da CPI afirmou que a medida busca “garantir celeridade, precisão técnica e a correta identificação do responsável pela linha telefônica no período analisado”, ressaltando que os trabalhos seguem com “transparência, responsabilidade institucional e respeito às garantias legais”.
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