Poder e Governo
Aliados de Lula sugerem retorno de Lulinha ao Brasil antes de eventual convocação de Mendonça
Defesa de Fábio Luís afirma ao ministro do STF que ele está à disposição para depor, caso seja chamado
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm defendido que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, retorne ao Brasil antes de eventual convocação para depor pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As suspeitas de envolvimento de Lulinha com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, têm gerado pressão sobre o governo e desgaste político. O lobista é um dos principais investigados no esquema de descontos indevidos em aposentadorias.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que Lulinha deveria se antecipar ao pedido do ministro e retornar ao país, evitando que a oposição utilize sua permanência no exterior como arma eleitoral, especialmente diante do fato de ser filho de Lula e alvo de investigação.
No Palácio do Planalto, auxiliares também defendem que Lulinha se manifeste publicamente para apresentar sua defesa.
Em conversas telefônicas com o filho, Lula teria orientado que, se inocente, Lulinha deve se defender das acusações.
Pessoas próximas ao presidente afirmam que Lula não tem discutido diretamente um eventual retorno de Fábio Luís ao Brasil.
Apesar de se colocar à disposição do ministro André Mendonça, a defesa de Lulinha afirma que não há intenção de retorno ao país sem uma convocação formal. Lulinha reside em Madri, na Espanha, desde 2024, onde vive com a esposa e os filhos, que estudam no país. Segundo a defesa, sua vida está estabelecida na Espanha.
“Fábio é um homem que não se esconde, mas não é alguém do embate. Não há motivo para voltar sem necessidade. Essa decisão reflete a sensação de segurança fornecida pela defesa, que está exaurindo todas as teses contra ele”, afirma Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha.
O avanço das investigações preocupa o Palácio do Planalto. A apuração das supostas ligações de Lulinha com envolvidos nas fraudes no INSS tem sido utilizada pela oposição como principal estratégia para desgastar o presidente Lula.
Aliados do governo têm reforçado o discurso de “transparência total” em relação às contas de Lulinha, destacando mudanças na equipe e constrangimentos enfrentados por antigos gestores, como o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro.
A defesa de Lulinha admitiu ao STF que ele realizou uma viagem a Portugal acompanhado do “Careca do INSS”.
Segundo os advogados, o deslocamento teve caráter pontual e não guarda relação com o esquema investigado. A viagem teria ocorrido em novembro de 2024, com o objetivo de conhecer uma fábrica de produtos à base de canabidiol, mas não resultou em vínculos comerciais ou negociações.
A defesa também afirma que Lulinha se dispôs a apresentar suas contas antes mesmo de qualquer pedido de quebra de sigilo do INSS, e ressalta que sua movimentação financeira não tem relação com a fraude investigada.
Apesar dos esclarecimentos, a avaliação é que o caso deixou de ser apenas um problema para o governo e passou a afetar lideranças do centro e da direita. Governistas e dirigentes do Centrão têm atuado para evitar o prolongamento das investigações, cujo prazo termina na próxima semana. Sem apoio político suficiente para convencer o Legislativo, a CPI recorreu ao STF na tentativa de estender as apurações.
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