Poder e Governo

Deputada que fez blackface na Alesp se declarou parda à Justiça Eleitoral; Erika Hilton pede investigação

Durante discurso em que se pintou de marrom na tribuna, deputada afirmou ser 'uma pessoa branca'.

Agência O Globo - 19/03/2026
Deputada que fez blackface na Alesp se declarou parda à Justiça Eleitoral; Erika Hilton pede investigação
- Foto: Jessica Marschner / Câmara dos Deputados

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) declarou-se parda à Justiça Eleitoral ao registrar sua candidatura em 2022. No entanto, durante discurso recente na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a própria parlamentar afirmou ser “uma pessoa branca”.

O episódio ocorreu quando Fabiana, enquanto criticava a escolha da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, pintou-se de marrom no plenário. Em sua fala, alegou que mulheres trans não são mulheres e tentou estabelecer um paralelo dizendo que, ao se pintar de preto, também não se tornaria uma pessoa negra.

Nesta quinta-feira (19), Erika Hilton acionou a Justiça Eleitoral solicitando a abertura de inquérito policial eleitoral contra Fabiana Bolsonaro. De acordo com a representação, ao se autodeclarar parda nas eleições de 2022, a deputada pode ter cometido crime de falsidade ideológica eleitoral, já que o número de candidaturas de pessoas pretas e pardas influencia na distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, mecanismo criado para promover a equidade racial no processo eleitoral.

Segundo Hilton, há uma “contradição” entre o benefício obtido pela autodeclaração racial e a “posterior banalização da identidade racial em um ato público marcado pelo uso de blackface, prática reconhecida como expressão de racismo”.

O caso também gerou reação na Alesp, onde 18 deputados protocolaram uma representação pedindo a cassação do mandato de Fabiana Bolsonaro. Não há prazo definido para análise do pedido.

No documento encaminhado ao Conselho de Ética, os parlamentares argumentam que, ao se pintar na tribuna, Fabiana praticou racismo e transfobia em seu discurso, ultrapassando os limites da liberdade de expressão e, portanto, não podendo ser protegida pela imunidade parlamentar.

“Eu sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E aqui eu pergunto: e agora? Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra, que jamais deveria existir? Eu te pergunto, eu me pintando de negra sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu pelo racismo?”, questionou Fabiana na quarta-feira, durante o discurso na tribuna da Alesp, enquanto aplicava base marrom no rosto e no corpo.

A deputada estadual Monica Seixas (PSOL) também registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), acusando Fabiana de racismo. Além disso, a bancada do PSOL anunciou que pedirá investigação do caso pelo Ministério Público.