Poder e Governo

Padre Kelmon confirma pré-candidatura a deputado federal pelo PL em São Paulo

Religioso afirma que disputa atende a 'missão de Deus' e a um chamado de Jair Bolsonaro

Agência O Globo - 19/03/2026
Padre Kelmon confirma pré-candidatura a deputado federal pelo PL em São Paulo
Padre Kelmon confirma pré-candidatura a deputado federal pelo PL em São Paulo - Foto: Reprodução

Ex-candidato à Presidência da República , Padre Kelmon confirmou que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo, representando o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, este último pré-candidato ao Planalto. Pelas redes sociais, o religioso declarou que aceitou a nova missão eleitoral “cumprindo a missão de Deus e o chamado do nosso líder”. A publicação foi acompanhada por uma foto ao lado de Bolsonaro.

Trajetória política e notoriedade

Padre Kelmon ganhou projeção nacional ao disputar as eleições presidenciais de 2022, chamando a atenção pelos trajes inspirados na tradição ortodoxa da Igreja Católica e pela defesa enfática de pautas pró-vida. Até então pouco conhecido, ele nasceu a cabeça de chapa após a candidatura de Roberto Jefferson (PTB) ser indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Durante debates televisivos, como o da TV Globo, foi chamado de “padre de festa junina” por Soraya Thronicke (União Brasil) e de “impostor” por Lula (PT).

Religião e atuação

Natural da Bahia, Kelmon Luís da Silva Souza, de 45 anos, se apresenta como ortodoxo, embora nunca tenha sido reconhecido como sacerdote pelas igrejas da comunidade ortodoxa no Brasil, conforme revelou a coluna de Malu Gaspar. Ainda assim, celebrou missas e batismos na Bahia e conquistou espaço entre grupos conservadores por seu discurso contundente contra a esquerda. Antes de se destacar no cenário conservador, foi filiado ao PT.

Em 2022, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nota esclarecendo que Kelmon não pertence à Igreja Católica Apostólica Romana. A entidade apoia que padres católicos não têm autorização para concorrer a cargos políticos ou se filiar a partidos.

Movimentos e ativismo

Apesar de não atuar oficialmente em igrejas ortodoxas brasileiras, Kelmon fundou e coordenou o Movimento Cristão Conservador Latino-Americano e esteve à frente do Movimento Cristão Conservador do PTB, do qual se licenciou antes de se candidatar à Presidência.

Ao longo de sua trajetória, declarou admiração por políticos como Levy Fidélix e Enéas Carneiro, e passou a utilizar um canal no YouTube para denunciar a “islamização” e a “perseguição” aos cristãos no Brasil.

“Juntos vamos resgatar o Brasil”, escreveu o religioso em publicação recente.