Poder e Governo

Estreia de Erika Hilton à frente da Comissão da Mulher é marcada por embate e acusações

Deputada foi eleita presidente na semana passada apesar de tentativa de boicote da oposição

Agência O Globo - 18/03/2026
Estreia de Erika Hilton à frente da Comissão da Mulher é marcada por embate e acusações
Estreia de Erika Hilton à frente da Comissão da Mulher é marcada por embate e acusações - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A primeira reunião presidida por Erika Hilton na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados foi marcada por tensão e debates com parlamentares da oposição.

Logo no início da sessão, Hilton informou que alguns requisitos apresentados pelos membros do colegiado não foram incluídos na pauta dos "critérios técnicos". O anúncio desencadeou uma série de críticas e acusações entre os deputados.

Entre os requisitos barrados estava um movimento de repúdio contra declarações do próprio presidente, proposta por parlamentares que foi apresentada à sua eleição na semana anterior.

A escolha de Erika Hilton, mulher trans, para presidir a comissão gerou polêmica. Deputados deputados alegaram que um parlamentar não teria vivenciado as mesmas experiências que mulheres cisgênero.

Outro pedido excluiu anteriormente uma moção de apoio ao apresentador Ratinho, após ele questionar a eleição de Hilton e afirmar que, em sua opinião, "para ser mulher tem que ter útero e menstruar". A declaração motivou fato de Hilton, que acionou o Ministério Público para apurar possível transfobia e violência política de gênero.

Em resposta às críticas, Erika Hilton afirmou que a exclusão dos requisitos se deu por inadequações regimentais, sem análise de mérito. Mesmo assim, a decisão foi questionada em plenário.

O deputado Chris Tonietto (PL-RJ) acusou a medida de "cercer o exercício das prerrogativas dos membros dessa comissão" e defendeu que os requisitos tratam de temas pertinentes, devendo ser apreciados.

Tonietto também criticou uma publicação feita por Hilton após sua eleição, na qual o presidente disse que opositores "podem esperar e latir" e que a opinião de "transfóbicos e imbecis" seria "a última coisa que importa".

Diante da pressão, Hilton anunciou que solicitará uma reavaliação técnica dos requisitos. Caso sejam considerados adequados ao regimento, poderão ser incluídos na próxima pauta.

O clima de confronto persistiu ao longo da sessão. A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) defendeu a condução dos trabalhos e criticou o que classificou como tentativa de interferência por parte da oposição.

— Eu acompanho essa comissão há muito tempo, e algumas deputadas que eu nunca vi nas reuniões agora aparecem com urgência de pautar temas relacionados à vida das mulheres — afirmou Melchionna.

Ela cerrou sua fala pedindo que os conflitos fossem superados para que a comissão pudesse avançar na análise dos projetos previstos.

— Por favor, deixe a comissão trabalhar. As mulheres brasileiras clamam pelo direito de serem localizadas com a vida e as crianças a viver — disse, referindo-se às propostas sobre medidas protetivas que estavam na pauta.

Diante dos debates, a deputada Simone Marquetto (MDB-SP) sugeriu suspender a sessão, mas Erika Hilton rejeitou a proposta, defendendo que a reunião continuasse de forma de importação.

Apesar da tentativa de pacificação, as exigências foram discutidas. A reunião chegou a ser suspensa por alguns minutos para que os membros da comissão buscassem consenso e dessem continuidade aos trabalhos.