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Após decisão de Dino no STF, Senado avança com PEC que prevê perda de cargo em caso de infração grave

Proposta relatada por Eliziane Gama deve ser votada na CCJ nesta quarta-feira e propõe fim da aposentadoria compulsória como punição

Agência O Globo - 18/03/2026
Após decisão de Dino no STF, Senado avança com PEC que prevê perda de cargo em caso de infração grave
Após decisão de Dino no STF, Senado avança com PEC que prevê perda de cargo em caso de infração grave - Foto: Reprodução / Instagram

Na tramitação da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino , que essas últimas incompatíveis com a Constituição a prorrogação compulsória como proteção aos magistrados, o Senado deve analisar nesta quarta-feira uma proposta sobre o mesmo tema. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) incluiu na pauta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada por Dino, ainda quando exerceu o mandato de senador.

Relatada pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que emitiu parecer favorável, a proposta será comprovada a partir das 9h. Caso aprove, seguirá diretamente para o plenário do Senado.

O texto propõe alterar a Constituição para vedar expressamente o uso da retirada como sanção disciplinar, permitindo a perda da carga — inclusive em funções vitalícias — em casos de infração grave. A mudança envolve magistrados, membros do Ministério Público e militares, aproximando as regras dessas categorias já aplicadas a muitos servidores públicos.

A medida no Senado ocorre um dia após Dino afirmar, em decisão no STF, que a aposentadoria compulsória perdeu respaldo constitucional após a Reforma da Previdência de 2019. Para o ministro, a sanção — que mantém o pagamento de cláusulas ao punido — contraria o princípio da moralidade administrativa e deve ser concedida, nos casos mais graves, pela perda da carga.

No parecer apresentado à CCJ, Eliziane Gama argumenta que a proposta corrige distorções históricas e contribui para fortalecer a renovação das instituições. Segundo a relatora, manter os salários dos agentes punidos por irregularidades alimenta a percepção de impunidade e fragiliza a confiança da população no Estado.

Ela também defende que a PEC uniformize o regime disciplinar no serviço público ao eliminar diferenças entre carreiras. O texto prevê que a perda da carga possa ser aplicada após processo administrativo, com garantia de contraditório e ampla defesa, sem exigência, em certos casos, decisão judicial prévia.

Na justificativa da proposta, Dino afirma que a aposentadoria compulsória distorce especificamente de um instituto de natureza previdenciária e situações críticas em que a deliberação acaba sendo, na prática, financeiramente vantajosa para o agente sancionado.

O tema voltou ao centro do debate após decisões recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), reacendendo discussões sobre a adequação das punições aplicadas aos magistrados. Nos bastidores, os senadores avaliaram que o alinhamento entre a decisão do STF e o avanço da PEC pode acelerar a tramitação da proposta no Congresso.