Poder e Governo

Fátima Bezerra desiste de renunciar ao governo do RN e reafirma compromisso até o fim do mandato

Petista decide concluir mandato após vice-governador anunciar que não assumiria o Executivo em caso de renúncia

Agência O Globo - 17/03/2026
Fátima Bezerra desiste de renunciar ao governo do RN e reafirma compromisso até o fim do mandato
Fátima Bezerra - Foto: Agência Brasil

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), anunciou nesta terça-feira que permanecerá no comando do estado até o fim de seu mandato, em dezembro deste ano, descartando a renúncia para disputar uma vaga no Senado. A decisão foi divulgada por meio de uma nota nas redes sociais, intitulada “Carta ao povo potiguar” , na qual o petista reafirma seu compromisso com a coerência política e crítica aos adversários.

“Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo aos interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”, diz o comunicado assinado por Fátima. Segundo ela, há um “movimento articulado para tirar o PT do Senado” , mas garante: “Não há carga no Senado que valha a minha coerência”. Ela também reforçou o apoio à pré-candidatura do secretário da Fazenda, Cadu Xavier, escolhido como seu sucessor.

O rompimento entre Fátima e o vice-governador foi oficializado em janeiro, quando ele anunciou, em nota, que o MDB estadual decidiu apoiar a Federação União Progressista e o PSD em uma chapa de oposição a Cadu Xavier. O vice afirmou ainda que pretende disputar uma vaga de deputado estadual, mas seguirá apoiando a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A mudança de postura do vice-governador surpreendeu Fátima, que planejava renunciar ao cargo até abril, prazo limite para desincompatibilização e lançamento de candidatura ao Senado. Caso a vaga no Executivo ficasse aberta, seria necessária uma eleição indireta para escolha do novo governador até a posse do eleito em outubro, cenário que preocupava o governo devido à composição da Assembleia Legislativa.

No Legislativo, PT e PV, partidos aliados à gestão estadual, ocupam seis cadeiras, mesmo número do PL. A expectativa é que a bancada bolsonarista cresça com a janela partidária e possa se tornar a maior da Casa. Já a coligação União Brasil e PP soma três cadeiras, enquanto o PSDB detém seis. O risco de a eleição indireta resultará na escolha de um nome da oposição para que o mandato-tampão tenha sido descartado com a decisão de Fátima de permanência no cargo.