Poder e Governo

Resolução do PT associa caso Master a Flávio e ao governo Bolsonaro: 'Não tomou as medidas necessárias para intervir'

Grupos de WhatsApp ligados ao partido e que reúnem influenciadores apoiadores do presidente Lula também passaram a organizar a replicação de conteúdos que associam Daniel Vorcaro ao senador

Agência O Globo - 17/03/2026
Resolução do PT associa caso Master a Flávio e ao governo Bolsonaro: 'Não tomou as medidas necessárias para intervir'
PT

O PT publicou uma resolução nesta segunda-feira que busca associar o escândalo do caso Master ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O texto foi publicado no site oficial do partido e compartilhado nas redes sociais do partido, após aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionarem a comunicação do governo em resposta ao caso e pressionarem por ataques ao parlamentar bolsonarista. A suposta ligação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, também passou a ser explorada em grupos de WhatsApp que reúnem criadores de conteúdo apoiadores do partido e do mandatário petista.

No texto, a sigla afirma que a crise do Master é "retrato" de um modelo "neoliberal que governou para o mercado financeiro e trata a economia como instrumento para proteger privilégios e os interesses de banqueiros e rentistas". "O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta, corrupção e irregularidades", afirma. A resolução também questiona a responsabilidade do ex-diretor do Banco Central Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, e diz que a instituição "manteve relações estreitas com setores da direita brasileira e com governos alinhados ao bolsonarismo.

No texto, a sigla afirma que a crise do Master é "retrato" de um modelo "neoliberal que governou para o mercado financeiro e trata a economia como instrumento para proteger privilégios e os interesses de banqueiros e rentistas". "O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta, corrupção e irregularidades", afirma. A resolução também questiona a responsabilidade do ex-diretor do Banco Central Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, e diz que a instituição "manteve relações estreitas com setores da direita brasileira e com governos alinhados ao bolsonarismo.

A resolução afirma que, no governo Lula, "as instituições de controle e investigação têm plena autonomia para atuar no combate à corrupção" e usa o avanço das investigações do caso Master como exemplo. Além disso, o texto critica diretamente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto e diz que o projeto dele "Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas". O parlamentar também é descrito como alguém "marcado por denúncias e investigações envolvendo esquemas de rachadinha, movimentações financeiras suspeitas e um histórico de enriquecimento incompatível com a vida pública".

Junto da resolução, grupos de WhatsApp que reúnem influenciadores petistas, reunidos pelo partido desde o ano passado como uma rede de produtores de conteúdo a favor do governo, também passaram a associar Vorcaro a Flávio.

Em uma das mensagens trocadas, a qual o GLOBO teve acesso, uma das administradoras do grupo orientou que os integrantes assumissem a "missão de repost" para ajudar um vídeo compartilhado a "chegar mais longe". A gravação, publicada originalmente pelo deputado estadual Renato Freitas (PT-PR), associava o banqueiro a representantes do bolsonarismo e pedia a mobilização da população para a retirada do poder do "Congresso inimigo do povo", lema adotado pela esquerda no ano passado.

Em outro modelo de postagem compartilhado no grupo, há uma montagem que mostra que Flávio estava entre os números encontrados na agenda do celular de Vorcaro. "A teia do escândalo BolsMaster só cresce e todos os caminhos levam ao clã Bolsonaro", diz o texto, que também pede para que o criador de conteúdo mande a mensagem "para dez contatos".

Questionamentos levantados por aliados

Como mostrou o GLOBO

Ministros do Centrão, aliados de partidos da base e integrantes da cúpula do PT ouvidos pelo GLOBO admitem que a aposta do ministro Sidônio Palmeira, da Comunicação Social, de focar apenas na divulgação de pautas positivas ainda não decolou. Parte dos governistas acha que é necessário partir para o ataque agora.

Da parte do PT, uma parcela integrantes da executiva fizeram mea culpa e consideraram que o governo e o partido ficaram tempo demais na dúvida se o candidato era o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou Flávio — segurando embate direto. Agora seria, portanto, necessário ajustar a rota. A reação da sigla, iniciada nesta semana nas redes sociais e pela publicação da resolução, também inclui forte mobilização das bancadas e dos movimentos sociais. Petistas afirmam que a ideia é “mobilizar a tropa para um estado permanente de campanha”.