Poder e Governo
Após Mendonça fechar sala-cofre, Viana diz que vazamento de dados de Vorcaro pode inviabilizar provas
Presidente da CPMI do INSS ressaltou que violação de informações por parte de parlamentes pode atrapalhar as investigações e ajudar defesa do banqueiro
Após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça com objetos apreendidos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar que apura as fraudes nas retiradas, descobriu o risco de vazamento de dados de pessoas do banqueiro por parte de parlamentares e afirmou que tal violação pode atrapalhar as investigações. O parlamentar disse, ainda, que Mendonça tem sido “coerente”, mas ressaltou que irá analisar a decisão nesta terça-feira junto à advocacia do Senado.
Fraude sem INSS:
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— Se os próprios parlamentares divulgam imagens da sala-cofre, o que não poderia acontecer, há o risco de vazamento, de inviabilizar as provas e tornar a defesa de Vorcaro muito mais forte, retirando do processo o que está escrito do envolvimento dele, por exemplo, com ministros do Supremo — afirmou Viana, na noite desta segunda-feira, ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
De acordo com o senador, seu entendimento é o de que "assim que as questões pessoais foram retiradas", Mendonça irá devolver o acesso aos dados. Viana afirmou que o material contém vídeos íntimos, e que o vazamento prejudicaria a “credibilidade” da CPMI.
— Existem vários vídeos lá, íntimos, particulares, de pessoas que enviavam, possivelmente garotas de programa, contratadas para as festas. Agora, isso não tem nada a ver com a investigação, não é um problema nosso — disse Viana. — É uma investigação, não é um momento de humor para o país. Eu fico muito chateado com isso.
Na decisão, Mendonça afirma que uma medida é necessária para preservar o sigilo de aspectos da vida privada do investigado. Com a determinação, o conteúdo reunido pela CPMI ficou temporariamente inacessível até que seja feita uma análise mais detalhada dos dados.
O objetivo é separar eventualmente conteúdos que digam respeito exclusivamente à vida privada de Vorcaro, impedindo que essas informações sejam compartilhadas com os parlamentares:
“A Polícia Federal deverá, em colaboração interinstitucional com a Presidência da CPMI-INSS, retirar todos os equipamentos que estão armazenados no referido local para realizar uma nova e detida separação dos dados existentes, de maneira a que eventual conteúdo que diga respeito exclusivamente à vida privada do citado investigado não seja compartilhado com a referida Comissão Parlamentar”, afirma Mendonça.
'Moraes deveria ser afastada', diz Viana
Na mesma entrevista, Viana afirmou que as foram destinadas a um telefone funcional da Corte. A conversa ocorreu no dia 17 de novembro, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez, e foi revelado pela . Ainda de acordo com o senador, Moraes “deveria estar fora do cargo” para garantir a isenção das investigações, o que aconteceria “em qualquer país sério”.
— O número que aparece nessa mensagem é o número funcional funcional do Supremo. Cabe agora ao Supremo, oficialmente, se nós tivermos essa condição na investigação, que é o básico em uma investigação profunda, que nos respondemos com quem era aquele número de telefone no momento que o Vorcaro manda mensagem — afirmou Viana, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
O parlamentar, no entanto, declarou que ainda não oficiou a Corte para confirmar a informação de maneira formal. Apesar disso, ele alegou que “checou oficialmente” que o número de telefone pertence ao Supremo.
— Eu chequei oficialmente e é o número funcional do Supremo. Em qualquer país sério do mundo, o ministro Alexandre de Moraes estaria afastado da carga até que a investigação terminasse e nós determinaríamos se ele tem culpa ou não em toda essa história — completau.
Viana também acusou Moraes de usar o “poder que tem como ministro” de forma inconstitucional. De acordo com ele, o magistrado, assim como o ministro Dias Toffoli (STF), já deveria ter sido investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
— Se o Procurador da República (Paulo Gonet) agiu como deveria, já teria pedido uma investigação ao ministro Moraes, do Toffoli, não porque eles são culpados, eu não posso fazer isso. Mas para que o país possa saber com clareza, e a gente não encubra um Supremo que tem explicado a dar — afirmou o senador. — No próprio Parlamento, uma pessoa quando é pega em uma operação da Polícia Federal com provas robustas de envolvimento parlamentar, tinha que ser retirada também.
Troca de
diretamente do material enviado à CPMI do INSS, não é fruto de comparação entre os horários dos textos que constam em blocos de nota de Vorcaro e as mensagens enviadas por ele, embora coincidam, e sim resultado da retirada realizada por um software específico que exibe conjuntamente as mensagens e os arquivos enviados, revertendo, na prática, a visualização única da mensagem Diferente.
No material exibido pela GLOBO, constam no envio das mensagens o número e o nome do ministro Alexandre de Moraes, que foi conferido e verificado pelo jornal. Para proteger informações pessoais do ministro, o número de Moraes usado à época dos diálogos com Vorcaro foi publicado nas impressões publicadas nas edições impressas e digitais da reportagem. As informações foram verificadas ao longo da última quinta-feira (5) com fontes que acompanham de perto os desdobramentos do caso.
O ministro Moraes, por sua vez, . Em nota divulgada pela assessoria de imprensa da Corte após a publicação do GLOBO, o magistrado afirmou que uma análise feita no conteúdo extraído do celular do dono do Banco Master "constatou que as mensagens de visualização únicas enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos".
Toffoli fora da relatoria
Antes das mensagens ligadas a Moraes, Toffoli admitiu ser sócio da empresa Maridt, que vendeu uma participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, para um fundo do cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli disse que declarou à Receita Federal os valores recebidos na negociação e afirmou que nunca "recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel (também preso pela PF)".
Em fevereiro, ele após as pressões, embora não tenha se declarado suspeito. No mesmo dia, por sorteio, o novo relator do caso passou a ser o ministro André Mendonça.
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