Poder e Governo
Aliados de Bolsonaro buscam STF para pedir prisão domiciliar ao ex-presidente
Movimentação ocorre após nova internação com quadro de pneumonia
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificaram, nos últimos três dias, contatos com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) numa tentativa de sensibilizar a Corte para conceder prisão domiciliar ao ex-mandatário, internado em Brasília após diagnóstico de pneumonia.
Articulando a política
A operação ocorre enquanto Bolsonaro permanece hospitalizado no DF Star, após ter passado mal na última sexta-feira no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde cumpre prisão.
Segundo relatos de interlocutores do ex-presidente, parlamentares e aliados políticos procuraram membros do tribunal para relatar o quadro de saúde e argumentar que a condição clínica justificaria a concessão da domicílio. Entre os nomes envolvidos nas articulações estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Decisão cabe ao relator
Nos bastidores, os aliados confirmaram que a decisão sobre eventual prisão domiciliar caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo. Interlocutores de Bolsonaro também buscaram contato com outros ministros da Corte para ampliar o diálogo sobre o quadro de saúde do ex-presidente. Reservadamente, aliados confirmam ter feito contato para tratar do assunto. A estratégia é apresentar o agravamento do quadro de saúde como elemento que poderia justificar uma revisão das condições de cumprimento da prisão. Procurados, os ministros preferiram não se manifestar.
O principal argumento apresentado aos ministros é que Bolsonaro desenvolveu pneumonia enquanto estava detido na unidade militar, o que evidenciaria a necessidade de acompanhamento médico contínuo.
Pressão e expectativa
Interlocutores afirmam que o objetivo é “sensibilizar” membros da Corte diante do estado de saúde do ex-presidente. Fontes do STF, no entanto, veem espaço para a concessão da medida, mas alertam que o episódio também pode ser interpretado como sinal de que houve atendimento adequado na Papudinha, já que Bolsonaro foi acessível ao hospital.
Paralelamente, a defesa do ex-presidente prepara novo pedido formal de prisão domiciliar. Após visitar o pai no Hospital DF Star, em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que os advogados deverão apresentar um novo pedido de caráter domiciliar de caráter humanitário, diante da internação. Bolsonaro foi diagnosticado com broncopneumonia e chegou a permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo Flávio, o episódio reforça a necessidade de acompanhamento constante do ex-presidente.
— Isso reforça a importância de ele ter acompanhamento permanente, seja de familiares ou de profissionais de saúde, 24 horas por dia. Isso é possível em casa — afirmou o senador após visitar o pai no hospital.
Bolsonaro foi levado ao hospital após apresentar febre, vômitos e queda na saturação de oxigênio durante a madrugada. De acordo com a equipe médica, o ex-presidente apresentou melhorias clínicas e laboratoriais nas últimas 24 horas e foi transferido da UTI para a unidade semi-intensiva.
Apesar da melhoria, os aliados passaram a usar o episódio como argumento para defender a concessão da casa. Parlamentares próximos ao ex-presidente afirmam que a pressão política deve continuar nos próximos dias, enquanto a defesa avalia possíveis medidas judiciais relacionadas ao quadro de saúde.
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