Poder e Governo

Defesa de Lulinha admite ao STF que filho do presidente viajou a Portugal com lobista investigado

Informação foi apresentada ao ministro André Mendonça, relator das investigações no Supremo

Agência O Globo - 17/03/2026
Defesa de Lulinha admite ao STF que filho do presidente viajou a Portugal com lobista investigado
Oposição acusa base de Lula de tentar blindar Lulinha após revelações sobre Careca do INSS - Foto: Reprodução

Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que realizou uma viagem a Portugal acompanhado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS" e apontado como figura central em investigações sobre fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo relatos já reunidos no inquérito e pela própria defesa de Lulinha, a viagem teria sido custeada por Antônio Carlos.

A defesa de Lulinha afirma que o deslocamento foi pontual e sem relação com o esquema investigado. Ao jornal O Globo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho informou que o episódio já foi comunicado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

— Já levamos ao conhecimento do ministro André Mendonça essa única e exclusiva viagem na companhia de quem, na época, era considerado um empresário de sucesso. Essa viagem, para Portugal, se deu para que ele fosse visitar uma fazenda de canabidiol — afirmou o advogado, que integra a defesa de Lulinha.

Segundo a defesa, a viagem a Portugal teria ocorrido em novembro de 2024, com o objetivo de conhecer uma fábrica de produtos à base de canabidiol. Ainda de acordo com os advogados, não houve vínculos comerciais ou negociações decorrentes da visita. Carvalho destacou que Antunes era um empresário "conhecido no ramo farmacêutico".

O encontro entre os dois teria acontecido durante conversas sobre o mercado de cannabis medicinal. Em uma dessas ocasiões, Antônio Camilo apresentou o projeto comercial "World Cannabis", o que despertou o interesse de Lulinha, especialmente, segundo a defesa, por razões pessoais.

No processo, os advogados afirmam que o empresário demonstrou interesse no tema "especialmente por ter uma sobrinha que faz tratamento para epilepsia e já enfrentou dificuldades com a qualidade e disponibilidade dos medicamentos".

Foi nesse contexto que surgiu o convite para a viagem. Segundo a defesa, Antônio Camilo informou que viajaria a Portugal para conhecer a produção de medicamentos à base de canabidiol e convidou Lulinha a acompanhá-lo, "sem qualquer compromisso".