Poder e Governo

Presidenciáveis do PSD defendem 'autoridade moral' e sugerem mudanças no STF

Governadores Eduardo Leite, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado deram declarações em entrevista conjunta ao programa 'Canal Livre', da TV Bandeirantes, no domingo

Agência O Globo - 16/03/2026
Presidenciáveis do PSD defendem 'autoridade moral' e sugerem mudanças no STF
- Foto: © AP Photo / Eraldo Peres

O trio de presidenciáveis ​​do PSD, composto pelos governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Ratinho Júnior (Paraná) e Ronaldo Caiado (Goiás), desenvolveu o conceito de “autoridade moral” como eixo central para se posicionar na disputa presidencial, marcada pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Durante entrevista conjunta ao programa Canal Livre , da TV Bandeirantes, na noite de domingo (15), os governadores mencionaram repetidas vezes a necessidade de autoridade moral do chefe do Executivo, abordando temas que vão desde o escândalo do Banco Master até propostas de reformas políticas e institucionais, incluindo mudanças no processo de indicação e no tempo de atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Tivemos uma eleição sobre o mensalão, outra sobre a Lava Jato e, agora, enfrentamos o escândalo do Banco Master. Esses casos não podem ser tolerados. Precisamos mostrar claramente nossa disposição de enfrentar esses problemas e punir, sem exceção, quaisquer autoridades envolvidas", afirmou Eduardo Leite. O governador gaúcho destacou ainda que o próximo presidente deverá “liderar moralmente” o debate no Congresso.

Entre as propostas apresentadas, Leite defendeu a idade mínima de 60 anos para nomeação de ministros do STF, o que, considerando a contratação compulsória aos 75 anos, resultaria em mandatos de até 15 anos. Ele também sugeriu restrições a decisões monocráticas. Ratinho Júnior propôs que os futuros ministros tenham origem exclusiva na magistratura e que haja aplicação à atuação de familiares em escritórios de advocacia que litigam na Corte. Caiado, por sua vez, relacionou o tema ao voto para senador e defendeu que o debate avançasse em 2027, além de cobrar o fim dos chamados “penduricalhos” no Judiciário.

"Hoje, o debate está personalizando ministros ou presidentes da Câmara. É preciso tratar a questão de forma institucional. E, sobretudo, num regime presidencialista, o presidente deve ter autoridade moral para liderar avanços institucionais", reforçou Ratinho Júnior.

Ronaldo Caiado voltou ao tema ao criticar a proposta de emenda à Constituição que extingue a jornada de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho para um descanso), classificando-a como uma medida “demagógica” do governo Lula, que pressionou deputados e senadores no ano eleitoral.

"Se houve um presidente sério, honesto e responsável, essa matéria seria pautada? Algum parlamentar, diante da narrativa de que se vai trabalhar menos e receber o mesmo, votaria contra? Isso é uma armadilha. Falta responsabilidade para ocupar a Presidência da República", declarou Caiado. "Não se governa de joelhos, acovardado ou manietado por outros poderes. É preciso resgatar o perfil de estadista na cadeira presidencial."