Poder e Governo
Pacheco filia aliados no PSB e reforça plano B para disputa em Minas diante de indefinição no União Brasil
Senador busca alternativas partidárias após o PSD ter filiado o vice-governador Mateus Simões, que irá concorrer ao pleito em outubro
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) passou a tratar o PSB como um plano B para uma eventual candidatura ao governo de Minas Gerais em 2026, em meio às indefinições nas negociações para se filiar à União Brasil, hoje tratada por interlocutores como sua principal alternativa partidária. A avaliação ganhou força nos bastidores após a filiação de sete ex-prefeitos mineiros ao PSB na semana passada, movimento interpretado por aliados como parte da estratégia do senador de manter uma rota alternativa enquanto decide seu futuro político no estado. Procurado, Pacheco não se manifestou.
Nos bastidores, aliados relatam que Pacheco tem adotado uma estratégia de divisão de seu grupo político entre três legendas — PSB, União Brasil e MDB — enquanto aguarda maiores esclarecimentos sobre o cenário eleitoral mineiro e negocia uma eventual mudança de partido. A ideia, segundos interlocutores, é manter presença e canais abertos em diferentes siglas até que o senador tome uma decisão sobre filiação e candidatura.
Aproximadamente com o PSB ganhou visibilidade nesta semana com a filiação de um grupo de ex-prefeitos que pretende montar uma “chapa municipalista” para disputar vagas na Câmara dos Deputados em 2026. O ato ocorreu na sede do partido em Belo Horizonte e reuniu o ex-prefeito de Mariana e o ex-deputado federal Duarte Júnior; o ex-prefeito de Sete Lagoas e também ex-deputado federal Duílio de Castro; o ex-prefeito de Moema e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) Julvan Lacerda; o ex-prefeito de Guaranésia Laércio Cintra; o ex-prefeito de Itamarandiba Luís Fernando; o ex-prefeito de Itaúna e ex-deputado estadual Neider Moreira; e o ex-prefeito de São José do Goiabal Beto Guimarães.
Nos bastidores da política mineira, porém, a movimentação foi interpretada também como um sinal de aproximação entre o grupo político de Pacheco e o PSB. Interlocutores alegaram que parte dos aliados do senador passou a ocupar espaço dentro da legenda enquanto o próprio parlamentar avalia qual será seu destino partidário.
Reservadamente, Pacheco tem afirmado aos aliados que pretendem escolher um partido “por cobertura com as pessoas”, e não apenas por conveniência eleitoral. Nesse contexto, o União Brasil continua sendo tratado como prioridade, principalmente pela relação política com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), um de seus principais aliados em Brasília.
Apesar disso, a negociação com o União Brasil enfrentou em Minas. O partido está federado com o PP e tem entre suas principais lideranças no estado o secretário de Governo do governador Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro, o que reduz o espaço político para uma eventual chegada do senador. Nas últimas semanas, no entanto, passou uma circular entre interlocutores a possibilidade de Aro deixar a União Brasil e migrar para o Podemos, legenda que também é controlada por seu grupo político no estado. Caso o movimento se confirme, aliados de Pacheco avaliam que as portas do partido voltariam a se abrir.
Outra alternativa considerada nas últimas semanas foi o MDB, mas terminou descartado. Durante um almoço realizado no apartamento funcional de Pacheco, em Brasília, o senador discutiu o cenário eleitoral mineiro com dirigentes da legenda, entre eles o presidente do MDB em Minas, o deputado Newton Cardoso Jr., o ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo e o deputado Aécio Neves (PSDB).
Na conversa, segundo participantes do encontro, Pacheco afirmou que o MDB não seria uma opção de filiação neste momento, já que o partido já possui um pré-candidato ao governo do estado, o próprio Azevedo. O senador ponderou que não faria sentido inserir na legenda enquanto essa candidatura estivesse colocada, destacando ainda que mantém relação de amizade com o ex-vereador.
Diante de um cenário ainda em construção, aliados avaliam que uma estratégia de expansão de seu grupo político por diferentes partidos permite a Pacheco preservar margem de negociação enquanto o tabuleiro eleitoral mineiro se reorganiza. Nesse sentido, o PSB passou a ser visto como uma alternativa concreta caso as tratativas com a União Brasil não avançassem.As conversas sobre uma eventual saída do PSD ganharam força após o partido filiado ao vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, aliado do governador Romeu Zema. O movimento foi interpretado pelos aliados do senador como um gesto que reduz seu espaço político dentro da legenda no estado.
Apesar das articulações, Pacheco manteve publicamente um discurso de cautela. A interlocutores, ele afirma que ainda não tomou uma decisão sobre disputar ou não o governo mineiro, mas também não pretende descartar a possibilidade neste momento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, tem dito a aliados que o senador será seu candidato ao governo de Minas.
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