Poder e Governo
Racha na base de Zema dá fôlego a Cleitinho Azevedo para se lançar em Minas
Resistência a Mateus Simões, escolhido para suceder mineiro, tende abrir espaço para candidatura do senador ao governo
Em meio às articulações para a disputa pelo governo de Minas Gerais, a direita tem se dividida entre as opções colocadas à mesa. De um lado, o vice-governador Mateus Simões (PSD), prestes a assumir o comando do Executivo, tem visto a composição final de sua chapa se tornar alvo de disputa e provocar desgastes entre partidos de sua base no estado. O cenário tende a abrir espaço para uma candidatura do senador Cleitinho Azevedo, que recebeu o aval dos Republicanos para disputar o Palácio Tiradentes.
Aliado alvo do MP, racha com PL, CPI sobre BRB e recusa de ir ao Senado:
Desgaste:
O atrito interno teve início depois que o presidente do PSD em Minas, o deputado estadual Cássio Soares, sinalizou, durante uma agenda com jornalistas no início do mês, que a indicação do vice de Simões pelo Novo não estaria garantida. Desde o ano passado, o vice-governador tem afirmado que, em função de um acordo prévio firmado entre os dois partidos, a prerrogativa da escolha do indicado para a vaga seria de Zema.
Em paralelo, membros da cúpula nacional do Novo passaram a responder que, caso o acordo não seja cumprido, o partido poderá apoiar outro nome ao comando do Executivo do estado. A hipótese de ruptura, no entanto, foi negada publicamente por Zema e Simões.
Outras opções
A divergência entre o PSD e o Novo coincidiu com o momento em que a direita mineira começa a se organizar e se dividir entre os candidatos que se colocam na disputa. Além do PL, que ainda avalia um palanque próprio para Flávio Bolsonaro, os Republicanos passaram a investir na indicação de Cleitinho.
O movimento, no entanto, não foi bem visto pelo vice-governador, que criticou a postura do partido na semana passada durante uma agenda em Uberlândia. Na ocasião, Simões disse que a sigla deveria se concentrar em responder às acusações contra o presidente do diretório estadual, o deputado federal Euclydes Pettersen (MG), alvo recente de uma investigação da Polícia Federal sobre os descontos fraudulentos do INSS.
— Os republicanos têm que se preocupar mais em explicar a situação do presidente estadual do partido, que está quase preso pela Polícia Federal, do que ficar falando em administração o estado — disse. — Fico preocupado com isso (uma candidatura dos Republicanos), que vai trazer para a campanha a discussão sobre o escândalo do INSS, o que é melhor evitar. Minas e a direita não precisam disso aqui não.
Em seguida, o vice-governador tentou manter a ponte aberta para o possível adversário, dizendo que “respeita muito a trajetória de Cleitinho”, além de afirmar que eles “nunca estavam em lados opostos” e que “esperava que não enfrentar agora”.
Simões também já chegou a considerar o irmão do senador e prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (PL), para a vaga de vice em sua chapa, mas tem como principal opção a vereadora de Belo Horizonte Fernanda Altoé (Novo), eleita aliada na próxima.
Procurado pela GLOBO, Cleitinho retribuiu os acenos ao vice-governador e não desistiu da possibilidade de ambos permanecerem juntos.
— Respeito muito o Mateus e jamais vou baixar o nível. Concordo com o que ele disse, temos que estar unidos e, se depender de mim, estarei sempre à disposição — disse.
Pontes mantidas
Questionado sobre uma eventual candidatura, Cleitinho afirmou que “tratará a campanha só em maio ou junho”. Nas redes sociais, no entanto, após receber o aval das cúpulas nacional e estadual dos Republicanos, o senador passou a replicar mensagens sobre o projeto. Em um deles, apareceu em vídeo ao lado de uma ex-professora, afirmando que sua decisão de concorrer “é por Minas e pela educação” no estado e no país.
O senador também tem buscado articulações junto a outros representantes do campo bolsonarista no estado, como o deputado Nikolas Ferreira (PL), a quem teria oferecido abrir a mão da candidatura para apoiá-lo na disputa pelo governo do estado. O plano, contudo, não desperta interesse em Nikolas, que buscará a reeleição na Câmara e será articulado para formar uma rede própria de influência e de aliados em Minas e em outros estados.
O parlamentar do PL também tem se reaproximado de Simões ao longo do último mês e cumprido uma série de agendas ao lado do vice-governador, mesmo após ele ter sido descrito nas anotações de Flávio Bolsonaro como uma opção de palanque para o PL no estado que “o puxa para baixo”.
No PL, membros da bancada na Assembleia Legislativa, como os deputados estaduais Cabo Caporezzo (PL-MG) e Sargento Rodrigues (PL-MG), defendem que a sigla apoie Cleitinho. Entre aliados de Simões, a avaliação é que ele se tornará conhecido ao assumir o comando do estado no final deste mês com a saída de Zema do cargo, marcada para o dia 22 de março.
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