Poder e Governo

Novo aciona Conselho de Ética contra Erika Hilton após denúncia de transfobia envolvendo Ratinho

Representação do partido alega quebra de decoro parlamentar após deputada pedir investigação sobre fala do apresentador do SBT sobre mulheres trans

Agência O Globo - 14/03/2026
Novo aciona Conselho de Ética contra Erika Hilton após denúncia de transfobia envolvendo Ratinho
Novo aciona Conselho de Ética contra Erika Hilton após denúncia de transfobia envolvendo Ratinho - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O partido Novo protocolou uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), após a parlamentar denunciar o apresentador de TV Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, por uma declaração considerada transfóbica. Erika Hilton acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) após Ratinho questionar sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.

A representação, assinada pelo presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, sustenta que a deputada "age de maneira deliberada e voluntariosa de perseguir quem expressa opiniões contrárias ao seu entendimento, valendo-se do seu mandato para dar um colorido de fortalecimento de poder em suas posições". O documento faz referência ao episódio em que o apresentador afirmou que Erika "não é mulher" e declarou: "para ser mulher, tem que ter útero e menstruar".

Em resposta, Erika Hilton solicitou ao MP-SP a abertura de inquérito para apurar possíveis crimes de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero, cujas penas podem variar de quatro a seis anos de prisão, dependendo do enquadramento. A deputada também enviou ao Ministério das Comunicações um pedido para que o "Programa do Ratinho" seja suspenso por 30 dias.

Na representação, o Novo ainda menciona outras ocasiões em que Erika acionou a Justiça contra falas consideradas transfóbicas, como uma ação movida contra uma estudante de veterinária em 2020, que publicou no X que "mulheres trans não são mulheres". O processo, conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF) e com Erika como assistente de acusação, foi julgado improcedente pela 3ª Turma Criminal do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

"A deputada busca utilizar seu poder como parlamentar para agir de forma totalmente hostil contra quem apenas expressa suas opiniões no tema de sexo e identidade de gênero, inclusive com o uso abusivo e ilegítimo de instrumentos jurídicos repressivos do Estado para incutir o medo, o temor e o receio de represália contra quem pensa diferente", afirma a representação do Novo. Procurada, Erika Hilton não se manifestou até o momento.