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Deputada do Psol aciona PF após ameaças de morte e ataques misóginos e racistas

Parlamentar pede audiência com diretor-geral da PF para denunciar intimidações recorrentes e cobrar responsabilização dos autores

Agência O Globo - 13/03/2026
Deputada do Psol aciona PF após ameaças de morte e ataques misóginos e racistas
Deputada do Psol aciona PF após ameaças de morte e ataques misóginos e racistas - Foto: Reprodução / Agência Senado

A deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ) acionou a Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (data não informada) para denunciar ameaças de morte e mensagens com ofensas de cunho misógino e racista. A parlamentar solicitou ainda uma audiência com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a fim de tratar do caso. Segundo Talíria, as intimidações ocorrem há cerca de sete anos, sem avanço nas investigações para identificar e responsabilizar os autores.

Na ameaça mais recente, recebida na manhã desta sexta, o agressor afirma que a "pele" de Talíria "suja o Congresso Nacional". Ao longo da mensagem, a deputada é alvo de diversos ataques racistas, sendo chamada de "escória racial inferior" e "selvagem". No Brasil, o racismo é crime inafiançável e imprescritível, com pena prevista de dois a cinco anos de prisão.

O agressor também direciona ofensas à atuação parlamentar de Talíria, criticando seu trabalho em defesa de cotas raciais e dos direitos da população LGBTQIAPN+, classificando suas ações como "discursos de vítima".

— É um histórico de ameaça e impunidade. Temos alguns inquéritos em aberto que, infelizmente, por diversos motivos, não resultaram na responsabilização dos criminosos. Isso acaba sendo uma autorização para que os crimes continuem acontecendo — afirma Talíria.

De acordo com a deputada, as ofensas são frequentes e incluem crimes de ódio e ameaças relacionadas a milícias do Rio de Janeiro. Talíria relata ainda já ter recebido mensagens que mencionavam a segurança de seus filhos, o que, segundo ela, gera insegurança para o exercício pleno do mandato.

Na mensagem mais recente, o autor detalha suposto plano para assassiná-la, incluindo informações sobre sua residência e cidade natal. O agressor afirma, ainda, que, caso a deputada não renuncie e "suma do mapa", irá cumprir "cada detalhe" do que descreveu.

Segundo Talíria, a gravidade dos termos utilizados reflete a disseminação do ódio contra mulheres na internet, impulsionado por conteúdos de movimentos masculinos extremistas de direita.

— Tenho convicção de que a Polícia Federal irá acolher nossa denúncia e enfrentar a impunidade que se evidencia nos casos dos quais sou vítima. É fundamental garantir que mulheres e mulheres negras possam exercer a política em paz e construir um projeto de país. Gostaria de debater os projetos que aprovei, mas esta é uma tentativa sistemática de fragilizar a potência dos nossos mandatos — diz a parlamentar.

Em 2024, durante sua candidatura à prefeitura de Niterói, Talíria já havia procurado a PF para tratar de violência política e cobrar o avanço das investigações. Na ocasião, a deputada já contabilizava mais de dez ameaças de morte, com detalhes sobre sua vida pessoal e familiar.