Poder e Governo

Gilmar Mendes leva ao plenário do STF decisão sobre quebra de sigilo de Lulinha em CPI

Data do julgamento será definida pelo presidente do Supremo, Edson Fachin

Agência O Globo - 13/03/2026
Gilmar Mendes leva ao plenário do STF decisão sobre quebra de sigilo de Lulinha em CPI
Gilmar Mendes leva ao plenário do STF decisão sobre quebra de sigilo de Lulinha em CPI - Foto: Reprodução

O ministro Gilmar Mendes decidiu submeter ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) a análise da decisão que anulou quebras de sigilo aprovadas pela CPI do INSS, incluindo a de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O caso estava em julgamento na sessão virtual do STF. O ministro Flávio Dino havia votado pela manutenção da decisão que suspendeu o envio de dados de Lulinha à comissão. Em seguida, Gilmar Mendes apresentou destaque, levando a discussão ao plenário presencial. A data do novo julgamento será marcada pelo presidente do STF, Edson Fachin.

No último dia 5, Dino ampliou sua decisão anterior, suspendendo o envio de dados financeiros de Lulinha à CPI do INSS. O ministro argumentou que o ato do colegiado não poderia ser considerado nulo para uns e válido para outros, determinando que a comissão, caso deseje, realize nova deliberação separada sobre as quebras de sigilo de todos os envolvidos alcançados pela decisão de fevereiro.

O impasse teve início no fim do mês passado, após votação em bloco da CPMI do INSS que autorizou a quebra de sigilo de Lulinha e de outros investigados no esquema de fraudes na Previdência. A sessão terminou em confusão, com parlamentares da base governista alegando erro na contagem dos votos.

Diante da polêmica, o caso foi encaminhado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que manteve a decisão da comissão pela quebra de sigilo de Lulinha.

Segundo documentos já recebidos pela comissão, Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos. O valor refere-se a créditos e débitos em conta do Banco do Brasil entre 3 de janeiro de 2022 e 30 de janeiro deste ano, totalizando R$ 9,774 milhões em créditos e R$ 9,758 milhões em débitos. A defesa do empresário nega qualquer irregularidade.

Antes da aprovação da quebra pela CPMI, o ministro André Mendonça, do STF, já havia autorizado a Polícia Federal a analisar os dados financeiros do filho do presidente Lula. Lulinha é investigado por suposta relação comercial com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", preso sob suspeita de desvio de recursos de aposentados e pensionistas.