Poder e Governo
Flávio diz que CPI contra ministros do STF é ilegal e Alessandro Vieira rebate: 'covardia ou conveniência'
Autor do pedido para criação da CPI é chamado de 'hipócrita' por Flávio Bolsonaro; Eduardo Bolsonaro o classifica como 'cínico'
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quarta-feira, que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não será instaurada por ser "ilegal". O pré-candidato à Presidência também classificou o autor da proposta, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), como um "grande hipócrita" por propor a CPI mesmo sabendo que sua implementação seria inviável. Vieira, por sua vez, questionou o motivo do "desespero" de Flávio diante da possibilidade de instalação da comissão.
Na segunda-feira, o pedido protocolado por Vieira já havia reunido o apoio de 35 senadores, oito a mais do que o mínimo necessário. Nenhum parlamentar do PT assinou o requerimento, ao contrário de Flávio Bolsonaro, que, apesar das críticas, foi um dos primeiros a endossar a proposta.
— Eu assinei, mas, com toda franqueza, o autor dela, o senador Alessandro Vieira, é um grande hipócrita. Ele faz esse tipo de pedido de CPI sabendo que não vai ser instaurada porque ela é ilegal. Você não pode instaurar uma CPI para investigar crimes comuns de pessoas. Então, ele faz para tirar uma onda — afirmou Flávio, em entrevista ao SBT News.
Poucas horas depois, pelas redes sociais, Vieira reagiu em tom irônico, questionando o "nervosismo" de Flávio com uma eventual CPI. Ele afirmou ainda que o pré-candidato ao Planalto, "por covardia ou conveniência", protege os ministros do Supremo.
"Alguém consegue explicar porque o Flávio Bolsonaro ficou tão nervoso com uma CPI que vai investigar a conduta dos ministros Toffoli e Moraes? Que ele protege os ministros, por covardia ou conveniência, a gente já sabia desde 2019", escreveu Vieira. "Mas por que esse desespero tão grande agora?", completou.
A criação da comissão de inquérito depende do aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem resistido a instalar a CPI. Uma comissão mista para apurar o escândalo do banco Master também já reúne assinaturas, mas segue sem perspectiva de instalação.
'Vai curtir o Mickey'
Após o pedido de abertura da CPI ser protocolado, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também criticou Vieira. Em mensagem a seus apoiadores, Eduardo sugeriu que "não procurar saber mais sobre a vida de um político pode gerar expectativas e frustrações", em referência à atuação de Vieira na criação do PL 2630/19, conhecido como "PL das Fake News", alvo de críticas dos bolsonaristas.
"É como dizem os mais experientes: 'quem não ouve cuidado, escutado coitado'. Atenção com Alessandro Vieira, poucos são tão cínicos e dissimulados como ele", escreveu Eduardo, relembrando declarações em que Vieira chamou Bolsonaro de "político velho que não gosta de trabalhar".
Vieira respondeu ironizando o fato de Eduardo estar nos Estados Unidos. A atuação do ex-deputado no exterior o tornou réu no STF, sob suspeita de articular sanções contra autoridades brasileiras e tentar pressionar a Corte.
"Cara, vai surfar, curtir o Mickey ou coisa parecida. Deixa quem está trabalhando em paz. Vocês fizeram esse mesmo teatrinho em 2019 e o resultado todo mundo sabe. Seu irmão já assinou a CPI, foi a assinatura 29, já estamos em 35. Você já atrapalhou o Brasil demais, tá na hora de descansar", rebateu Vieira.
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