Poder e Governo
Foco de União-PP e Republicanos em alianças nos estados vira obstáculo para acordo nacional com Flávio
Legendas ainda negociam apoio ao pré-candidato do PL, mas há disputas no Rio, Minas e em outros estados
As alianças regionais ajustadas pelo PP, União Brasil e Republicanos viraram prioridade da direção dessas legendas, que deixaram a disputa presidencial em segundo plano até o momento. A estratégia das siglas impõe uma barreira para a aproximação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o principal adversário de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano.
Pré-candidato na Bahia:
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A cúpula da federação provisória União-PP, por exemplo, tem dito que a decisão sobre o apoio a um candidato ao Planalto só deverá ser tomada após todos os acordos estaduais serem fechados, tom que foi reforçado pelo senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, na quarta-feira.
A ordem é fechar apoios aos candidatos ao governo e ao Senado que se traduzam em bancada maior para as duas legendas, independentemente de qual seja o projeto nacional de cada líder regional.
Em 2022, tanto o PP quanto os Republicanos apoiaram uma tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro. Essa adesão não deverá ser repetida, pelo menos no curto prazo, no caso da candidatura de Flávio.
Esses partidos são heterogêneos, com setores mais próximos do bolsonarismo e outros mais distantes, com disputas internacionais que podem inviabilizar uma posição formal na eleição de 2026.
A própria origem do União Brasil, que no segundo turno de 2022 liberou apoios para Bolsonaro e Lula, indica o cenário adverso. O partido foi formado pela fusão entre DEM e PSL e até hoje vive atritos entre os diferentes grupos vindos dessas legendas.
O PSL foi o partido pelo qual Jair Bolsonaro foi eleito em 2018. Na época, a sigla cresceu exponencialmente com a onda bolsonarista, mas não encontrou unidade interna entre uma ala mais aliada ao ex-presidente e outra mais próxima do Centrão, o que fez com que Bolsonaro e seus aliados saíramssem do partido.
Por sua vez, os Republicanos esperam o fim do período de janela partidária, que começa em março e termina em abril e é quando os deputados federais podem trocar de legenda. A ideia é ter uma melhor dimensão da configuração do perfil do partido que vai entrar na eleição depois do saldo de saídas e entradas.
Decisões do PL geram evidência
As três legendas não fecharam as portas para um apoio a Flávio, mas veem seus interesses contrariados nos estados por decisões que consideram unilaterais por parte do PL.
Ainda há entraves de definição nos maiores colégios eleitorais. Em Minas Gerais, por exemplo, os republicanos enfrentaram atritos porque consideram que não tem recebido acenos do PL para uma aliança.
Por sua vez, no mesmo estado, a União-PP está dividida entre dois projetos antagônicos.
O PP é da base do governo Romeu Zema (Novo), que quer lançar seu vice Matheus Simões (PSD) ao governo. O partido de Gilberto Kassab, porém, conta com as pré-candidaturas à Presidência dos governadores Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR), e Simões tem falado em apoio a Zema para a Presidência.
Do outro lado, o União Brasil é o próximo do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), que foi estimulado pelo PT a se lançar candidato. Pacheco deve trocar de partido após sua legenda decidir lançar Simões, mas ainda não definiu o destino.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), principal interlocutor do governo na União Brasil, é um dos que tenta intermediar um acordo para que seu partido, Pacheco e Lula, se juntem em Minas Gerais.
Pacheco chegou a emplacar um aliado na presidência da União em Minas, o deputado federal Rodrigo de Castro. Mas, diante da divisão na federação, o caminho para o próprio Pacheco disputar pelo partido é difícil.
A decisão deve caber à cúpula nacional do PP e da União, que ainda não decidiu se vai intervir para ala a favor de Pacheco ou de Zema.
Contribuindo para o cenário de desorganização, o próprio PL ainda não decidiu quem vai apoiar em Minas. O deputado Nikolas Ferreira (PL) tem se aproximado de Simões, mas Flávio quer a garantia de ter um candidato que dê palanque para ele, algo que Simões resiste. Em anotações feitas pelo próprio pré-candidato ao PL ao Palácio do Planalto, há indicação de que o vice-governador o “puxa para baixo”.
Já nos Republicanos, membros da cúpula do partido têm se queixado principalmente sobre a forma como o PL tem tratado de alianças em Minas.
Mirando a sucessão de Zema, o senador Cleitinho Azevedo, que tenta ser candidato a governador pelos Republicanos, e o presidente do partido em Minas, Euclydes Pettersen, procuraram o senador Rogério Marinho (PL-RN), que faz parte da cooperação da campanha de Flávio.
Eles sinalizaram que têm disposição de abrir palanque para Flávio no estado, mas se queixaram da proposta do deputado Nikolas com o pré-candidato do PSD.
A avaliação do entorno dos Republicanos é que Nikolas prefere apoiar Simões porque, como ele já assumiu a cadeira de governador neste ano, não poderia se reeleger em 2030, quando Nikolas Almeja fosse candidato a governador.
Já com Cleitinho há a possibilidade de ele ser reeleito e atrapalhar o planejamento de Nikolas para uma outra disputa estadual.
Na reunião com Cleitinho e Pettersen, de acordo com relatos, Marinho demonstrou ter pouco interesse e passou a maior parte da conversa olhando o celular. Ao final do encontro, ele teria se limitado a dizer que os parlamentares deveriam procurar Nikolas.
Cleitinho disse que tem esperança de um acordo com o PL em Minas, mas ressaltou que ainda não há definição.
– Conversamos e vamos conversar depois. Eu sou aliado deles (do PL) e eles são aliados nossos. A gente vai conversar mais para frente.
Acordo no Rio
Já no Rio, Flávio avançou em um acordo com o União Brasil e o PP. Pelo certo, Douglas Ruas (PL) será candidato a governador, com Rogério Lisboa (PP) a vice, e os candidatos ao senador serão Marcio Canella (União Brasil) e o governador Cláudio Castro (PL).
O grande, no entanto, criou outro problema com os Republicanos, que não está representado com candidatura majoritária e tem diálogo aberto com o prefeito Eduardo Paes (PSD), principal concorrente do PL na disputa.
— Se eles (da candidatura do Flávio) querem meu apoio, você acha que com essa pressão aproximada ou distancia? Com a decisão unilateral que eles tomaram no Rio? — disse o presidente dos Republicanos, Marcos Pereira, em entrevista ao GLOBO.
O pré-candidato do PSD no Rio também já conseguiu atrair o MDB, que é mais próximo do bolsonarismo no estado, mas agora fará parte de um projeto estadual não obrigatório a Flávio, já que o próprio Paes tem proximidade com Lula.
Outro acordo fechado pelo PL nesta semana, dessa vez em Santa Catarina, também atrapalha o diálogo com o Centrão. O grupo de Flávio decidiu que no estado dos candidatos aos senadores serão Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, ambos do PL.
Isso atrapalha os planos do senador Esperidião Amin (PP-SC), que quer tentar a reeleição.
O presidente do PP, Ciro Nogueira, criticou publicamente a decisão nas redes sociais. “Nós dos Progressistas somos do tempo em que acreditamos em PALAVRA!!!!!!”, escreveu.
O PP e a União Brasil já decidiram desembarcar da aliança com o PL em Santa Catarina e deverão formar um grupo com o PSD, que deverá ter o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), como candidato.
Rodrigues é o próximo do bolsonarismo, mas, como no caso de Simões, em Minas, o partido dele deverá ter outra opção presidencial.
— Nenhum PL já foi preenchido. Nós estamos construindo a nossa alternativa e essa proposta já existe (do PSD), agora vamos trabalhar — disse Esperidião Amin.
Amin também declarou que apoia Flávio mesmo concorrendo contra o PL em Santa Catarina. Ele, no entanto, disse não saber se União e PP vão estar na coligação encabeçada pelo filho do ex-presidente.
— Não posso falar pelo partido, não fechamos coligação ainda. Eu continuo na minha posição (de apoio ao Flávio). Sobre o que vai acontecer na coligação que vamos formar, não posso dizer.
Há ainda diversos outros entraves nos estados do Nordeste. Flávio, por exemplo, tem considerado aliança local do PL mesmo com candidatos a governador que não se comprometeram a dar palanque para ele, como são os casos da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), de ACM Neto (União Brasil) na Bahia e Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
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