Poder e Governo

'Pra mim não tinha que ter reeleição', afirma governador de SC, que busca novo mandato

Eleito em 2022, Jorginho Mello é pré-candidato na disputa deste ano pelo Executivo estadual

Agência O Globo - 12/03/2026
'Pra mim não tinha que ter reeleição', afirma governador de SC, que busca novo mandato
'Pra mim não tinha que ter reeleição', afirma governador de SC, que busca novo mandato - Foto: Reprodução / Instagram

Prestes a disputar um novo mandato em outubro, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), defendeu o fim da reeleição no país. O bolsonarista, eleito em 2022, é pré-candidato na corrida deste ano pelo Executivo estadual. A declaração foi dada durante entrevista à rádio 89FM Joinville, terça-feira.

Defesa do mandato único

— Eu sou defensor já há muito tempo de que, para mim, não tinha que ter reeleição. (Devia) até estipular x (um limite de) mandatos de deputados, até para dar oportunidade de renovação. Para o Executivo, eu nunca concordo (com a possibilidade de reeleição). Se não tivesse outra eleição, (o governador) cumpriria o mandato (único) para deixar o legado — afirmou Jorginho.

Debate avança no Senado

O tema está em discussão no Senado. Em maio, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, de forma simbólica, um texto relatado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), que prevê mandato único de cinco anos para todos os cargos eletivos, incluindo deputado e senador.

Pela proposta de emenda à Constituição (PEC), a partir de 2028 não haverá mais reeleição para prefeitos e, a partir de 2030, para governadores e presidente. Para alinhar a coincidência dos mandatos, haverá um período de transição: prefeitos e vereadores eleitos em 2028 terão mandato de seis anos. Já a partir de 2034, prefeitos e vereadores passam a ter mandatos de cinco anos.

O texto inicial previa mandato de dez anos para senadores após a transição, mas, após acordo com o líder do PL, Carlos Portinho (PL-RJ), esse período foi reduzido para cinco anos. Assim, os senadores eleitos em 2026 ainda cumprirão mandatos de oito anos; os eleitos em 2030 terão mandato excepcional de nove anos, para adaptar o ciclo eleitoral ao novo modelo. A partir de 2034, os mandatos passam a ser de cinco anos, com a regra cabível vigente em 2039, quando o ciclo de eleições unificadas for completamente implementado.

Tramitação e resistência

A PEC segue agora para o plenário do Senado, onde precisa ser aprovada em dois turnos por, no mínimo, 49 senadores. Depois disso, será encaminhada à Câmara dos Deputados. Ainda não há previsão para apreciação no plenário, mas a expectativa dos defensores é que isso ocorra antes do recesso parlamentar do meio do ano.

O tema divide a base aliada do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é contrário ao fim da reeleição e já manifestou sua posição em reuniões com senadores no ano passado. A proposta também foi criticada pela ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), que classificou a iniciativa como "oportunista e um retrocesso".