Poder e Governo
Preterido em chapa estadual no Rio, Curi recebe apoio do PL para disputar eleição em outubro
Secretário de Polícia Civil era um dos cotados para o governo fluminense e agora é cortejado por outros partidos
Após ser preterido na formação da chapa da direita para as eleições no Rio de Janeiro, anunciada na última terça-feira com os nomes para governador, vice e dois senadores, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, recebeu nesta quarta-feira um gesto de apoio do PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro. Considerado um "coringa" capaz de ocupar um dos espaços da aliança caso algum candidato se inviabilize, Curi foi contemplado com promessas de protagonismo para concorrer a deputado federal pelo partido — uma resposta à aproximação de outras legendas.
Decisão do STF:
O secretário estadual Douglas Ruas (Cidades), escolhido para liderar a candidatura ao governo, esteve na sede da Polícia Civil acompanhado do senador Bruno Bonetti, presidente do PL municipal do Rio e aliado direto do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Ambos destacaram o papel de Curi, prometeram significativo aporte de recursos para sua campanha e asseguraram espaço de destaque na área de segurança pública em um eventual governo Ruas.
— Douglas disse ao doutor Curi que ele será o responsável por comandar todo o processo de segurança no governo — afirmou Bonetti.
Reunião com Flávio
O próprio Flávio Bolsonaro convidou Curi para uma reunião em Brasília, marcada para o dia seguinte ao anúncio da chapa, o que teria amenizado o descontentamento do policial, conforme revelou a newsletter "Jogo Político", do GLOBO. Até recentemente, Curi era cotado para disputar o Palácio Guanabara, diante das incertezas sobre a candidatura de Ruas. Flávio Bolsonaro sinalizou ainda que, caso o PL vença a eleição presidencial, Curi poderá ser indicado para o cargo de ministro.
Outro fator que motivou o movimento do PL foi o assédio de outras siglas ao policial. Curi vinha sendo sondado por partidos como PP, Novo e Republicanos, com propostas para concorrer ao governo estadual como uma alternativa da direita. No entanto, dentro do PL, ele já era visto como um nome de potencial eleitoral, percepção que se fortaleceu após a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha — a mais letal da história do país — que lhe trouxe visibilidade nacional.
Agora, com respaldo para disputar uma vaga de deputado federal, Curi também é apontado como nome natural para o Senado caso o governador Cláudio Castro (PL) ou o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), precisem se retirar da disputa. A situação mais delicada é a de Castro, já que, em 10 de março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomará o julgamento do caso Ceperj, que pode resultar em sua cassação e inelegibilidade.
A direção do PL aguarda a filiação de Curi, que precisa ocorrer até 4 de abril, prazo legal estabelecido pela Justiça Eleitoral para quem pretende disputar as eleições deste ano.
A chapa divulgada na terça-feira reúne, além de Ruas e dos candidatos ao Senado, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) como vice-governador. Juntos, PL, PP e União controlam mais da metade das prefeituras do estado, conferindo à aliança amplo domínio das máquinas municipais.
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