Poder e Governo
Chapa petista leva senador Ângelo Coronel à oposição na Bahia
Sem espaço para disputar a reeleição no palanque de Jerônimo Rodrigues, Ângelo Coronel deixa o PSD e se alia a ACM Neto
A formação de uma chapa majoritariamente petista para o Senado na Bahia, com as candidaturas do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner, líder do governo na Casa, resultou no afastamento de um antigo aliado do governador Jerônimo Rodrigues. O senador Ângelo Coronel (sem partido), que deixou o PSD em fevereiro após perder espaço na composição para 2026, migra agora para a oposição e estará no palanque de ACM Neto (União), principal adversário do PT na disputa pelo governo estadual. Coronel será um dos nomes apoiados por ACM Neto ao Senado, enquanto a segunda vaga na chapa pode ser ocupada pelo ex-ministro João Roma, atual presidente estadual do PL.
A saída de Coronel do PSD se deu após diversas tentativas de reverter sua situação dentro do partido, em reuniões com o presidente estadual Otto Alencar e o presidente nacional Gilberto Kassab. A decisão do PSD de apoiar a chapa petista, com Costa e Wagner, foi determinante para o desligamento do senador.
"O PSD estava se coligando com o PT na Bahia para esta eleição e resolvi sair do partido para me aliar ao ACM Neto. Apesar das conversas com Otto e Kassab, não tive legenda para disputar o Senado, nem em uma candidatura independente. Até abril, tomarei a decisão de qual será a minha próxima sigla. Tenho convites do União Brasil, PP, PSDB e Podemos", afirmou Coronel.
A movimentação de Coronel cria uma nova frente de oposição e pode frustrar o plano petista de eleger dois senadores no estado. O PT baiano trabalha para consolidar a chamada “superchapa dos vencedores”, mirando não apenas a vitória de Jerônimo Rodrigues ao governo, mas também a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desenho excluiu Coronel, que buscava renovar seu mandato, acirrando a tensão entre PT e PSD na base aliada.
A ausência de Coronel na base de Jerônimo abriu uma nova frente de tensão entre aliados do governador, já que a maioria dos deputados e senadores do PSD na Bahia mantém alinhamento político com o senador.
O presidente estadual do PT, Tassio Brito, destacou que a sigla apresentou ao conselho político do governo Jerônimo, em setembro, a chapa ao Senado "mais forte para disputar a eleição". Segundo Brito, Costa e Wagner têm forte identificação com o eleitorado baiano e trânsito em diversas legendas.
"Não é uma chapa puro-sangue, pois a coalizão reúne mais de dez partidos. Houve debate no conselho de governo e o desfecho foi precipitado após Coronel tentar pressionar o PSD estadual via diretório nacional. Mantemos nossa aliança com o PSD, sob a presidência de Otto", afirmou Brito.
Um ponto ainda indefinido na montagem da chapa petista é a escolha do vice de Jerônimo. A permanência de Geraldo Júnior (MDB) é considerada o caminho mais provável, mas a decisão final ainda não foi tomada.
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