Poder e Governo
Em tom de campanha, Haddad faz 'provocaçãozinha' a Tarcísio no Flow: 'Por que resolveu cobrar ICMS da Shopee?'
Declaração foi feita após governo recuar na medida que elevou a tarifa de importação para eletrônicos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), participou nesta sexta-feira (27) do programa Flow News, do Flow Podcast, e aproveitou a ocasião para alfinetar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em meio às especulações sobre uma possível candidatura ao governo paulista, Haddad fez questão de lançar uma "provocaçãozinha" ao adversário político.
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— Vou fazer uma provocaçãozinha aqui. Por que o Tarcísio resolveu cobrar ICMS da Shopee? Todo mundo fala da taxa, esquecendo que boa parte dela é estadual. Mas todo mundo esquece isso, pois quer carimbar alguém com o negócio: “a culpa é dele!” Todos os governadores. Brinquei com o nome do Tarcísio porque ele vai falar: “Pô!” Por que todos os governadores resolveram cobrar ICMS da Shopee, da Shein, sei lá o quê? Porque as lojas locais pagam ICMS, e, quando um cara de fora manda um negócio para cá e não paga o ICMS, vai destruir o comércio no Brasil. Brinquei com o Tarcísio, porque querem colocar na conta do Lula, do Haddad — afirmou o ministro em tom de campanha.
Em outro momento da entrevista, enquanto se defendia das acusações de ser o responsável pelas tributações, Haddad voltou a citar o governador paulista:
— O cara me chama de Taxadd, por causa das blusinhas, e ele vai ignorar o que eu acabei de explicar. Ele podia mandar um Pix pra cá, dizendo "é mentira que o Tarcísio esteja cobrando ICMS sobre a Shopee", mas ele não vai fazer isso — completou.
A declaração ocorreu após a revogação, nesta sexta-feira, pelo Comitê Executivo (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), dos aumentos promovidos no início do mês para produtos eletrônicos, como smartphones e notebooks, que retornaram à alíquota de 16%.
— O comércio exterior hoje está muito mais complicado do que parece. O dólar caiu mais de 10%, o que seria bom, mas em virtude do protecionismo, com todo mundo se protegendo da China. A capacidade da China fez com que os produtos chineses desaguassem sobre mercados menos protegidos. Identificamos importações em questões delicadas em produção nacional que estava sofrendo. Esses setores provocaram o ministério: "Nossa fábrica vai fechar". Fizemos um processo de calibragem e fizemos as exceções. As normas entram em vigor no dia 2. Tudo normal, mas o caça-clique acaba gerando essa coisa toda — afirmou durante a entrevista. — Eu sou o cara mais fã desse setor aí. Tecnologia — completou.
Na quarta-feira, Haddad havia defendido o aumento do Imposto de Importação sobre 1,2 mil produtos, incluindo celulares, televisores, computadores e equipamentos usados em data centers, como CPUs.
A medida, tomada no início do mês e com vigência revista para março, foi justificada pela necessidade de proteger a indústria nacional diante do crescimento das compras de bens importados.
A decisão, aprovada no âmbito da Camex, elevou o Imposto de Importação para 1.252 produtos, entre eles computadores, celulares, componentes eletrônicos, equipamentos de telecomunicações e máquinas. As novas alíquotas incidem sobre bens com produção no Brasil, enquanto itens sem fabricação nacional permanecem com tarifa zero.
Importadores, por outro lado, contestaram a medida e alertaram para o risco de aumento de preços, encarecimento de investimentos e problemas no abastecimento de insumos, especialmente em setores de alta tecnologia.
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