Poder e Governo

Lula pede a movimentos sociais que impeçam eleição de quem ameaça políticas públicas

Presidente também fez cobranças sobre a eleição para o Congresso Nacional

Agência O Globo - 27/02/2026
Lula pede a movimentos sociais que impeçam eleição de quem ameaça políticas públicas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a 6ª Conferência Nacional das Cidades, realizada em Brasília com a presença de centenas de representantes de movimentos sociais, para abordar a importância das eleições presidenciais deste ano. Em meio ao crescimento das intenções de voto em Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula alertou, sem citar nomes, que não se deve permitir a eleição de quem pode "destruir" políticas públicas.

— Este ano vai ter eleição e é importante vocês levarem em conta que cabe a vocês não permitir que uma pessoa que vai destruir aquilo que vocês construíram possa chegar à Presidência da República deste país — afirmou Lula.

Durante o evento, o presidente destacou a necessidade de mobilização dos aliados, mencionando que produtores rurais conseguem eleger "170 deputados" no Congresso, enquanto movimentos populares não conseguem eleger o mesmo número de trabalhadores ou mulheres.

— Você tem uma bancada ruralista com mais de 170 deputados. Você tem dois trabalhadores rurais eleitos deputados. Quantos operários tem na Câmara dos Deputados? Dois ou três? Quantas mulheres? Algo está errado na nossa compreensão na hora de votar. É importante que vocês pensem nisso porque vocês sabem o que é o retrocesso — disse Lula.

Em discurso voltado a apoiadores, Lula ressaltou que os mandatos do PT na Presidência não foram conquistados com apoio de banqueiros ou grandes empresários.

— Não devo isso a nenhum banqueiro da Faria Lima, nem a um grande empresário, devo a vocês, que conquistaram o direito de me eleger — afirmou.

Aproveitando a maioria feminina na plateia, Lula reforçou seu compromisso em firmar um pacto com o Judiciário e o Legislativo para combater o feminicídio. Ele defendeu a necessidade de mudar a cultura que trata a mulher como "saco de pancada" e sugeriu que pastores passem a pregar a defesa dos direitos das mulheres nas igrejas.

Uma das estratégias da pré-campanha do PT é aproveitar a maior rejeição das mulheres ao bolsonarismo.

— Vamos ter que preparar na creche para que o menino não ache que é melhor do que a mulher, que ele pode bater (...)

É preciso um processo de educação de homem para homem. Em qualquer momento em que eu abrir a boca, vou dizer: quem bate em mulher não é homem. É covarde — destacou Lula.

Lula também citou a extinção do Ministério das Cidades e do programa Minha Casa Minha Vida durante o governo anterior, ressaltando que ambos foram remodelados ou substituídos. Ele lembrou que a pasta das Cidades foi criada em seu primeiro mandato, junto ao Conselho das Cidades, que reúne representantes de movimentos sociais.

O presidente reafirmou a meta de entregar três milhões de moradias pelo Minha Casa Minha Vida, superando a promessa inicial de dois milhões. Lula ainda mencionou outras pastas extintas no governo de Bolsonaro, como as de Cultura, Trabalho e Direitos Humanos.

Lula chegou ao evento acompanhado do ministro das Cidades, Jader Filho, e do presidente da Caixa, Carlos Vieira. Nos discursos, ambos afirmaram que "Lula é o melhor presidente que o país já teve". A plateia entoou diversas vezes o coro "Olê, olê, olá, Lula Lula".