Poder e Governo
Paes e Ceciliano fazem as pazes um mês após troca de ofensas por 'conexão com o crime' e 'fala nervosinha'
Pré-candidato a governador pelo PSD amarra apoio do PT no Rio com garantia de que dará palanque a Lula, mesmo com vice bolsonarista
Um mês após , o prefeito do Rio, (PSD), e o secretário de Assuntos Legislativos do governo Lula, (PT), fizeram as pazes nesta sexta-feira, após um almoço na capital fluminense. No encontro, Paes voltou a sinalizar que abrirá palanque no Rio para a campanha de reeleição de Lula à Presidência, mesmo após ter oferecido a .
— Eu disse ao Eduardo que, se ele falar que é 100% Lula, eu também sou 100% Eduardo Paes. Ele fará campanha para o presidente Lula, que é a nossa prioridade na eleição deste ano — disse Ceciliano ao GLOBO.
Nas redes sociais, Ceciliano fez uma publicação na qual afirmou que " não há briga que não possa terminar com um abraço e um bom aperto de mão", acompanhada por uma foto da campanha de 2022 em que aparece junto a Paes e Lula.
Em janeiro, Paes havia acusado Ceciliano de querer concorrer ao governo do Rio com apoio do presidente afastado da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar, e sugeriu que o movimento atenderia a "práticas de conexão com o crime". Bacellar foi sob acusação de ligação com o Comando Vermelho.
Ainda em janeiro, reagindo à fala de Paes, Ceciliano ironizou o prefeito pelo que chamou de "fala nervosinha". A expressão faz referência ao apelido "Nervosinho", à época da Lava-Jato, e comumente lembrado por adversários para atacar o prefeito.
A controvérsia entre Paes e Ceciliano surgiu devido à movimentação do petista para concorrer em uma eventual eleição fora de época ao governo do Rio, neste primeiro semestre. Esta eleição ocorrerá em caso de renúncia do governador Cláudio Castro (PL), que tem até abril para deixar o cargo se quiser ser candidato ao Senado neste ano.
Nessa hipótese, a Alerj precisaria eleger, até maio, um novo governador para um mandato-tampão, com validade até o fim do ano. Por já ter presidido a Alerj e ter boa relação com deputados estaduais de diferentes partidos, uma possível candidatura de Ceciliano , já que o petista, se eleito, só poderia disputar a reeleição para governador na eleição de outubro — quando o próprio Paes concorrerá ao governo estadual.
Segundo interlocutores de Paes, o prefeito do Rio não tem, por ora, uma alternativa viável para concorrer à eleição indireta na Alerj. No lado bolsonarista, o provável candidato a esse mandato-tampão é o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), apontado nesta semana por Flávio Bolsonaro para liderar a chapa do seu partido ao Palácio Guanabara nas eleições de outubro.
A estratégia do PSD e de Paes é para essa eleição indireta. Isso pode acabar adiando o pleito, o que diminuiria o tempo disponível para Ruas ou de outro candidato do PL à frente da máquina estadual antes das eleições de outubro.
Em paralelo a isso, Paes vem buscando atrair partidos e parlamentares que estão na base do governador Cláudio Castro (PL). Um desses movimentos foi , irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, que é aliado de Bolsonaro. Embora venha fazendo acenos ao bolsonarismo, Paes considera relevante, por outro lado, ter o apoio do PT e de Lula já no primeiro turno da eleição estadual.
Nova visita de Lula
Além de fazerem as pazes, Paes e Ceciliano aproveitaram o encontro desta sexta-feira para debater detalhes de uma terceira visita de Lula ao Rio neste ano. O presidente deve visitar a capital fluminense na próxima quinta-feira, dia 5 de março, para acompanhar obras viárias em Campo Grande, na Zona Oeste, e também para uma agenda relacionada a ações do governo federal no Aeroporto do Galeão.
O roteiro do presidente, ainda não divulgado oficialmente pelo Palácio do Planalto, também prevê por ora a entrega de moradias populares na Comunidade do Aço, em Santa Cruz, e anúncios referentes a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Jardim Maravilha, ambos bairros da Zona Oeste da capital.
Neste ano, Lula visitou o Rio em janeiro, quando em uma espécie de "prévia" da assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul; e em fevereiro, quando . Além da agenda institucional, o presidente usou a viagem deste mês para acompanhar a primeira noite de desfiles das escolas de samba do carnaval, na Marquês de Sapucaí. Lula foi homenageado pela Acadêmicos de Niterói, primeira escola a se apresentar no Grupo Especial, no domingo.
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