Poder e Governo
Gilmar Mendes defende andamento do inquérito das fake news após manifestação da OAB
Decano do STF critica cobertura da Lava-Jato e ironiza senador Sergio Moro, que rebateu pelas redes sociais
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a continuidade do chamado inquérito das fake news , frequentemente apelidado pela oposição de “inquérito do fim do mundo”. O decano da Corte saiu em defesa da investigação, sob relatoria de Alexandre de Moraes, que foi aberta em 2019 para apurar ataques a ministros do STF e posteriormente ampliada para outras frentes. Durante a sessão comemorativa dos 135 anos do Supremo, Mendes ressaltou a "importância histórica" do inquérito.
— Devo falar da importância histórica do inquérito das fake news. Vivemos esse momento, convivemos dramaticamente com isso no início do governo Bolsonaro. Foi uma posição difícil a decisão do ministro Dias Toffoli, designando o ministro Alexandre de Moraes para essas funções — destacado Mendes. — Não quero fazer a especulação do "se" na história: o que seria do Brasil se não fosse o inquérito das fake news. Mas estou muito tranquilo porque aqui apoiei desde o início.
As declarações de Gilmar Mendes foram necessárias após o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviar ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitando providências para a conclusão do inquérito das fake news. No documento, a OAB manifestou “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração”.
A entidade ressaltou que, embora a investigação tenha surgido em contexto excepcional, com instauração de ofício pelo próprio STF, sua continuidade exige estrita observância dos limites constitucionais. Também importante é a ampliação do escopo das apurações.
O inquérito chegou ao centro de debate na semana passada, diante de suspeitas de acesso e vazamento de dados fiscais de ministros do STF e familiares. O Supremo informou que a petição foi autuada para evitar inquérito sobre notícias falsas.
Durante o discurso pelos 135 anos do STF, Mendes também ironizou o senador Sergio Moro (União-PR) ao criticar o que atualmente é um foco excessivo da imprensa na Corte. Segundo o ministro, se "um solicitado" chegasse ao Brasil hoje, poderia pensar que todos os problemas nacionais se restringiriam ao Supremo.
O decano demonstrou “perplexidade” com o fato de veículos de mídia que apoiaram a Operação Lava-Jato não terem feito uma “mea-culpa” após o reconhecimento judicial de abusos cometidos em procedimentos relacionados à operação.
Mendes afirmou ainda que "jornalistas importantes" atuaram como ghostwriters — profissionais que escrevem textos contratados por terceiros — do ex-juiz da Lava-Jato em Curitiba, aproveitando para alfinetar o atual senador:
— Precisava de ghostwriters porque talvez não quis escrever com G ou com J a palavra 'tigela' — ironizou.
Em resposta, Sergio Moro afirmou pelas redes sociais que Mendes “quer desviar a atenção da opinião pública” sobre uma matéria da revista britânica The Economist, que teria retratado o ministro de forma negativa. "Devia falar sobre ela e não sobre bobagens", rebateu Moro, destacando ainda um trecho da reportagem que cita festas promovidas pela universidade privada fundada por Gilmar Mendes em Lisboa, com a presença de políticos, magistrados e empresários.
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