Poder e Governo

Paes volta a criticar política de segurança de Castro em evento com chefe da Polícia de Nova York

Prefeito retoma críticas ao governo do Estado após período de trégua, reacendendo embate com Castro diante de plateia internacional

Agência O Globo - 26/02/2026
Paes volta a criticar política de segurança de Castro em evento com chefe da Polícia de Nova York
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) - Foto: Reprodução / Instagram

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), adotou tom de pré-campanha ao governo do Estado nesta quinta-feira (6), durante visita do chefe de polícia de Nova York, Michael LiPetri. Pré-candidato ao Palácio Guanabara, Paes voltou a criticar o projeto Segurança Presente, comandado pela gestão de Cláudio Castro (PL), além de questionar o papel do atual secretário de Governo, André Moura, embora sem citar nomes diretamente.

Entenda:

Condenação:

— Na realidade, quem criou o Segurança Presente fui eu, ao lançar o Lapa Presente (2014) e o Centro Presente (2016). Mas era muito diferente do que é feito hoje. O comando do programa era dos comandantes dos batalhões locais. Hoje, essa coordenação é do secretário estadual de Governo, um sujeito de Sergipe que nomeia coordenadores por indicação de deputados — afirmou Paes, sem mencionar diretamente o ex-deputado André Moura.

Durante a visita, LiPetri conheceu as instalações do Civitas, programa de videomonitoramento em Segurança Pública, e a sala de reuniões (Compestat), que definirá o planejamento das ações da Força Municipal — grupo de elite da Guarda Municipal, que, a partir de março, atuará armada na prevenção a pequenos delitos no Rio.

Como mostrou O Globo nesta quinta-feira, Paes vem intensificando as críticas à política de segurança de Castro, após um período de “não agressão”. As críticas, que haviam arrefecido após a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha — a mais letal da história do país, que reabilitou a popularidade de Castro em outubro de 2025 —, foram retomadas na semana passada.

— As pessoas começaram, no Rio, a confundir política com associação para outros fins — declarou Paes no evento em que recebeu apoio do MDB para a eleição. — Essas outras forças também vão estar unidas. Como falta (a eles) política, mas outros motivos os motivam, eles vão estar unidos para tentar manter o poder.

Após o evento, em entrevista à imprensa, Paes afirmou ainda que o “governo atual” tem “cumplicidade com o crime, com a tomada de territórios”.

Chapa contra Paes

A formação da chapa da direita para a eleição do Rio, anunciada na terça-feira com a presença do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), marcou o fim do acordo entre o prefeito e o governador. Parte central das conversas era viabilizar a vitória do secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione, na eleição indireta prevista para os próximos meses, mas essa possibilidade ficou remota.

Apesar de os articuladores não terem se manifestado explicitamente sobre a disputa indireta após o anúncio da chapa encabeçada por Douglas Ruas (PL), a avaliação nos bastidores é que o próprio Ruas deve ser o candidato ao mandato-tampão, o que lhe daria visibilidade e poder antes da disputa direta com Paes.

O agora pré-candidato afirmou a interlocutores que não está “preso” à necessidade de conquistar o governo indiretamente antes da campanha, mas considera importante eleger para o mandato-tampão alguém “da política”. Pesa a seu favor o fato de que, quem assumir o cargo, só poderá concorrer em outubro ao próprio mandato de governador, o que afasta outros deputados interessados, já que precisariam abrir mão do mandato a partir do próximo ano.