Poder e Governo

Petistas contestam votação sobre filho de Lula na CPI e acusam fraude; Viana rebate

Parlamentares do PT alegam maioria em votação simbólica e pedem anulação de decisão sobre quebra de sigilo

Agência O Globo - 26/02/2026
Petistas contestam votação sobre filho de Lula na CPI e acusam fraude; Viana rebate
Lulinha - Foto: Reprodução

A votação de um pacote de 87 requerimentos, incluindo a quebra do sigilo bancário e fiscal do filho mais velho do presidente Lula e de um ex-sócio do Banco Master, gerou intenso embate político entre parlamentares governistas e opositores na CPI do INSS. Os pedidos foram aprovados em bloco, sob protestos de "golpe" e "fraude" por parte dos petistas, que recorreram a fotos da sessão para tentar convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a anular a votação.

Segundo as imagens apresentadas pelos governistas, havia 14 parlamentares contrários à aprovação dos requerimentos — número que, de acordo com suas contas, seria suficiente para rejeitá-los. O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), contestou a alegação e afirmou que a contagem está equivocada.

O impasse teve início quando, por articulação dos governistas, a comissão decidiu votar os 87 itens em bloco, contrariando o pedido da oposição para análise individual. A primeira votação foi nominal, com resultado de 18 a 12 — alguns parlamentares participaram virtualmente.

Naquele momento, a expectativa era de que a oposição fosse novamente derrotada na tentativa de direcionar o foco da CPI para as movimentações financeiras de Fábio Luis. Para rebater críticas de que estariam "blindando" investigados, os petistas afirmaram que iriam obstruir a pauta até que Viana colocasse em votação requerimentos relacionados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a governadores de direita, como Ibaneis Rocha (DF) e Cláudio Castro (RJ).

Após a decisão de apreciar os pedidos em bloco, deputados e senadores iniciaram a deliberação sobre o pacote. Viana declarou que, diferente da primeira, aquela votação seria simbólica: quem fosse contra deveria se levantar; quem fosse a favor, permanecer sentado.

A partir desse ponto, a confusão se intensificou. Quatorze parlamentares governistas se manifestaram contra, mas Viana contabilizou apenas sete e declarou aprovados os requerimentos. Mesmo após admitir o erro na contagem, o impasse permaneceu quanto ao quórum da sessão.

Viana e a oposição sustentam que o quórum válido era de 31 parlamentares, registrados na primeira votação. Segundo o presidente da CPI, "as deliberações aconteceram de forma conjunta" e, portanto, mesmo com 14 votos contrários, os governistas não atingiram a maioria necessária e foram derrotados.

— Naquele momento, dentro do procedimento que foi iniciado, o quórum era 31, como mostrava o painel. Eram necessários 16 votos. (Eles) não estavam em plenário.

Já para o PT, por se tratar de votação simbólica, o quórum deveria considerar apenas os presentes no plenário, que somavam 21, segundo o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder dos governistas na comissão. Nesse cenário, os petistas alegam que teriam vencido a votação.

— O que aconteceu foi uma fraude na contagem de votos. Foi uma ação deliberada do presidente da comissão e vamos deliberar no Conselho de Ética contra ele por violação de um resultado de uma votação e uma atitude desonesta — acusou Pimenta.

Nos bastidores, governistas ainda nutrem esperança de que a votação seja anulada por Davi Alcolumbre. Pimenta afirmou ter apresentado ao presidente do Senado imagens do momento da votação que, segundo ele, comprovariam a fraude. Caso não haja intervenção, os petistas cogitam recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Viana, por sua vez, declarou manter boa relação com Alcolumbre, embora esteja há mais de um mês sem contato. O presidente da CPI já solicitou por diversas vezes a prorrogação da comissão, que tem encerramento previsto para o fim de março.