Poder e Governo
Juíza critica falta de reajuste salarial e gastos próprios com lanche em audiência sobre penduricalhos
Presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), Cláudia Soares, também questiona custos com combustível pagos por desembargadores.
Em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pagamento de verbas extras a servidores públicos, a presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), juíza aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, criticou a ausência de reajuste anual dos salários dos magistrados e reclamou dos gastos pessoais "com lanche e café".
Cláudia destacou a supressão de benefícios e comparou as condições de trabalho dos desembargadores estaduais com as de ministros de tribunais superiores. Segundo ela, magistrados de primeiro grau enfrentam dificuldades como a falta de carro oficial, plano de saúde, refeitório, água e café, arcando com essas despesas do próprio bolso.
— Juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível. Não tem apartamento funcional, plano de saúde, refeitório. Não tem água e não tem café, ministro Dino. No primeiro grau não tem, nós pagamos — afirmou Cláudia.
Ela explicou ainda que o salário bruto de R$ 46 mil, após descontos de Previdência Social e Imposto de Renda, reduz-se a pouco mais de R$ 20 mil. Isso, segundo Cláudia, aumenta a diferença em relação ao que recebem ministros e desembargadores, que, de acordo com ela, "mal têm um lanche, pelo menos no Rio de Janeiro".
— Então, quando se equaliza e quer moralizar, quando se fala de ética, tem que ver o conjunto da obra, e não apenas o valor de um subsídio — completou.
Para a presidente da ABMT, a magistratura está "fragmentada no aspecto remuneratório". Ela defende que a Justiça da União recebe determinados valores, enquanto a Justiça estadual recebe outros, o que fragiliza a categoria e demanda uma "equalização" das verbas pagas.
— Os juízes não têm segurança jurídica. Um mês não sabe o que vai receber, outro mês não sabe se vai cair. Esses 20 anos que passamos desde a fixação do subsídio, não foram tempos de tanta glória — avaliou Cláudia. — O salário mínimo tem recomposição anual, por que o subsídio da magistratura não pode ter? Não é possível.
Audiência será retomada nesta quinta-feira
O STF retoma nesta quinta-feira a audiência sobre os chamados "penduricalhos". Na sessão anterior, marcada por críticas de ministros a esses pagamentos, consolidou-se o entendimento de que a Constituição tem sido reiteradamente desrespeitada com remunerações acima do teto do funcionalismo, que corresponde ao salário dos ministros do STF: R$ 46,3 mil.
Ao abrir a sessão, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, citou reunião com a cúpula do Congresso Nacional que decidiu criar um grupo de trabalho para, em 60 dias, formular uma proposta de regra de transição sobre verbas indenizatórias acima do teto.
— Historicamente este Tribunal tem zelado pela previsão constitucional do teto remuneratório e pelo alcance do regime de subsídio. Em que pese a jurisprudência dessa Casa, a questão remanesce tormentosa no plano dos fatos, dada edição de leis e atos normativos que podem não apresentar compatibilidade com o texto constitucional nas várias esferas de Poder — declarou Fachin.
Nesta segunda-feira, o ministro Gilmar Mendes determinou que verbas de natureza indenizatória só podem ser pagas a membros do Poder Judiciário e do Ministério Público quando expressamente previstas em leis aprovadas pelo Congresso Nacional. Ele fixou prazo de 60 dias para que tribunais e Ministérios Públicos estaduais suspendam pagamentos de verbas indenizatórias criadas por leis estaduais.
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