Poder e Governo
Flávio Bolsonaro avalia apoiar Moro ao governo do Paraná para fortalecer oposição a Ratinho e Lula
A possível aliança sinaliza nova aproximação entre o ex-juiz e a família Bolsonaro após ruptura em 2020
O senador Flávio Bolsonaro (PL) estuda apoiar a candidatura de Sergio Moro (União) ao governo do Paraná nas eleições de 2026. A articulação busca criar um palanque robusto para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado, já que Moro lidera as pesquisas de intenção de voto até o momento. A estratégia também responde ao projeto político do governador Ratinho Junior (PSD), que pode lançar candidatura à Presidência em oposição a Flávio.
Aliados de Flávio avaliam que dificilmente o senador dividirá o mesmo palanque com Ratinho no Paraná. Nesse cenário, Moro surge como alternativa para fortalecer a campanha presidencial do PL no estado. Ratinho, por sua vez, deve apoiar um nome do PSD para sua sucessão no governo paranaense.
A consolidação da aliança entre Flávio e Moro representaria uma nova tentativa de reaproximação entre o ex-juiz e a família Bolsonaro, após o rompimento ocorrido em 2020. Na época, Moro deixou o Ministério da Justiça alegando interferência do então presidente na Polícia Federal.
Nesta semana, a movimentação ganhou repercussão diante de disputas internas na federação União-PP. O presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, já descartou apoiar Moro na corrida pelo Palácio Iguaçu.
Na oposição a Moro, o diretório estadual do PT anunciou apoio ao deputado estadual Requião Filho (PDT). A chapa de Lula no Paraná também contará com a ministra Gleisi Hoffmann (PT) como candidata ao Senado.
Pelo lado de Ratinho, três nomes do PSD são cotados para a disputa: o secretário das Cidades, Guto Silva – favorito pela proximidade com o governador –, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, já sondados por outros partidos para possíveis alianças. Entre eles, Guto Silva é considerado o nome mais provável de Ratinho.
Da saída do governo aos acenos por reaproximação
Moro deixou o governo Bolsonaro em abril de 2020, após a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, episódio que motivou críticas públicas do então ministro.
Ganhando projeção nacional como juiz da Operação Lava Jato no Paraná, Moro assumiu o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro com alta popularidade e promessa de autonomia, recebendo status de "superministro" na pasta que unificou Justiça e Segurança Pública. No discurso de saída, afirmou que havia recebido a promessa de "carta branca" para atuar no combate ao crime organizado e à corrupção.
Contudo, ao longo de um ano e meio de governo, Moro acumulou derrotas e polêmicas, incluindo o vazamento de mensagens com procuradores da Lava Jato, a perda de controle sobre o Coaf e o enfraquecimento do pacote anticrime.
Após deixar o governo, Moro tornou-se opositor, mas manteve o discurso antipetista. Em 2022, apoiou Jair Bolsonaro contra Lula e chegou a participar de debates ao lado do ex-presidente.
Desde então, Moro tem sinalizado publicamente tentativas de reaproximação com o bolsonarismo. Em setembro do ano passado, por exemplo, ele questionou a condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), alegando "dúvidas razoáveis" e "penas excessivas".
O STF fixou pena de 27 anos e 3 meses a Bolsonaro por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
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