Poder e Governo
Com pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, direita do Rio afunila nomes para comando do estado
Anúncio de candidatura de filho do ex-presidente ao Planalto e prisão de Rodrigo Bacellar, até então interessado no Palácio da Guanabara, fizeram grupo político avançar em opções; setores veem ‘ensaio’ do Centrão para pressionar Paes
Dois acontecimentos recentes fizeram a direita do Rio sair da inércia e tentar construir alternativas para a sucessão do governo do estado, hoje comandado por (PL). No âmbito local, a prisão e o afastamento do presidente da Assembleia Legislativa, (União), destravou conversas que estavam interditadas por causa do desejo dele de disputar o Palácio Guanabara. A nível nacional, a candidatura à Presidência do senador (PL-RJ) gerou a necessidade de viabilizar um palanque forte no berço do bolsonarismo.
'Milagre da natureza para acabar com preconceito entre esquerda e direita':
Repercussão no Supremo:
Apesar de o predileto de Flávio para a eleição de governador ser o chefe da Polícia Civil, Felipe Curi, o nome que virou mais consensual entre setores da política nas últimas semanas é o do secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), deputado estadual licenciado. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), ele tem 36 anos e comanda uma pasta que ostenta capilaridade no estado.
Pessoas próximas a Ruas, no entanto, avaliam que o parlamentar tem muito a perder — incluindo um novo mandato — ao entrar no jogo, dado o favoritismo do prefeito (PSD). O deputado sonha em presidir a Alerj no próximo biênio. Assim, poderia pagar um custo alto ao entrar na difícil eleição de governador.
Outras opções, como Curi ou um outsider, topariam a missão, mas não mobilizam partidos do Centrão que têm capilaridade no estado e podem ser decisivos para facilitar ou dificultar a vida de Paes.
Como Castro pretende disputar o Senado, precisa se desincompatibilizar do cargo no início de abril, prazo estabelecido pela Justiça. Assim, o grupo do governador tem que pensar em outra eleição além da de outubro: a escolha indireta, na Alerj, de quem comandará o estado em um mandato-tampão até o fim do ano. Isso porque o vice-governador eleito em 2022, , foi para o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Para a eleição indireta, o escolhido em estágio mais avançado é o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione. Com carreira no Banco do Nordeste, o cearense nunca disputou eleições e é considerado um quadro técnico com perfil ideal para encarar os nove meses de mandato. O governo do Rio amarga um déficit de R$ 19 bilhões previsto para 2026. Precisa cortar gastos e impor políticas impopulares. Não faria sentido, segundo interlocutores de Castro, colocar no mandato-tampão alguém para disputar a reeleição em outubro.
Em contraponto, há setores que defendem que o nome a ser eleito para o tampão vire depois o candidato da eleição direta. Seria uma forma de explorar a máquina pública para impulsionar o desempenho eleitoral. Já a escolha por Miccione passa por um acordo de “ganha-ganha” entre Castro e Paes. Além dele ser nome de confiança do governador, interessa ao prefeito não ter como adversário em outubro alguém com o poder da caneta.
Pressão por espaço
O rearranjo da direita e do Centrão se deu na esteira da insatisfação de alguns dirigentes com Paes, sempre baseados no argumento de que o prefeito tem dificuldade de ceder espaços-chave na administração para outros grupos. Ao mesmo tempo, há os que avaliam que as siglas estão exigindo garantias exageradas antes da hora — e que as novas costuras são uma forma de pressioná-lo a ceder espaços na chapa e no eventual governo.
Uma área central, por exemplo, é a Saúde. A pasta é um tradicional feudo do PP, mas Paes dificilmente abriria mão de ter nela alguém de confiança. O mesmo vale para a Educação e, principalmente, para as secretarias que lidam com os maiores desafios do Rio, a de Segurança Pública e a Fazenda. Na avaliação de aliados, não faria sentido ganhar a eleição pendurado num arranjo que manteria a estrutura do governo praticamente igual à atual.
O político considerado o vice perfeito para a chapa, tanto na visão de Paes quanto no grupo da direita que busca alternativas, é o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, do PP. Nos últimos dias, o político da Baixada Fluminense foi ventilado como companheiro de coligação da candidatura de Douglas Ruas, mas o entorno de Paes segue otimista em relação a ele.
Quem também tem interesse em ocupar o posto é o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, outro que está no PP e mantém conversas recorrentes com o prefeito da capital. A possibilidade já foi aventada por Paes, apesar de ele ter protagonizado há pouco tempo um bate-boca nas redes sociais com o pai de Wladimir, o ex-governador Anthony Garotinho.
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